Domingo, 22 de Agosto de 2010

Black Button (2007)

 

A menos de uma semana da estreia do filme "The Box", de Richard Kelly, que conta com a participação de Cameron Diaz no papel principal, achei de bom tom trazer aos leitores do GT a crítica a uma curta que se baseia numa premissa semelhante à do filme mencionado.

 

"Black Button", realizada por Lucas Crandles, é uma curta de cerca de 7 minutos de duração (disponível em http://www.youtube.com/watch?v=QrKnhOJ-R80) que nos coloca numa sala, lado a lado com Jeffrey Roberts (Hayden Grubb) e um estranho homem (Robert Grubb) com uma proposta, no mínimo, suspeita...

 

A proposta consiste no seguinte: Jeffrey poderá ganhar 1 milhão de dólares bastando-lhe, para tal, carregar no botão negro que tem à sua frente. Mas atenção... a escolha entre pressionar ou não o botão não suscitaria grandes dúvidas, não fosse o facto de, ao tomar essa acção, Jeffrey estar a ser responsável pelo fim de uma vida humana. Pode ser um homem, uma mulher, uma criança, um criminoso, ou uma vida inocente. Você, que decisão tomaria? Carregava no botão e ficava com o dinheiro, ou preferiria abandonar a sala de mãos a abanar, mas de consciência tranquila?

 

Esta dicotomia, do certo e do errado, qual a melhor decisão a tomar, não é de agora, e muito menos esta representação do botão tem aqui a sua primeira projecção. Porém, este é um daqueles trabalhos que vagueiam pelo Youtube e que são meritórios de visionamento. A prová-lo estão os prémios atribuídos, tanto pelo próprio Youtube, de 6º finalista para a categoria de Melhor Curta, bem como em festivais, nomeadamente Fitzroy e DearCinemaFest.

 

Não será portanto demais referir que, acima de tudo, esta primeira curta profissional de Crandles, que lhe custou somente 200$, prima pelo discurso, interacção convincente dos dois personagens, bem como pela densidade de acção, que prende o espectador até ao twist final, bastante original. A nível técnico, dentro das limitações características numa produção do género, pode classificar-se como competente, simples é certo, mas adequado ao tema abordado.

 

Agora, resta-nos esperar que "The Box" seja, senão melhor, pelo menos equiparável a este "Black Button", uma crítica proeminente a uma sociedade cada vez mais dominada pelo desejo de consumo.

 

"You had the key to salvation."

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Sábado, 31 de Julho de 2010

Rafael e Maria (2008)

 

Realizada por Ricardo Machado, no seu 2º ano de Licenciatura em Cinema e Audiovisual da Universidade Moderna, esta curta traz-nos a história de um homem, Rafael (Nuno Melo), que aparenta ter sido traído pela mulher. Desesperado e vendo a sua empregada, Maria, como potencial veículo de vingança, toma uma decisão que mudará as suas vidas...

 

À primeira vista, parecerá ao espectador que estamos perante uma curta-metragem dramática quando, na realidade, o seu conteúdo narrativo se consegue distanciar substancialmente desse espectro.

 

Nuno Melo, a única cara conhecida do elenco, tem uma prestação dinâmica e de acordo com aquilo que tem mostrado ao público português. É, de facto, um bom actor. Porém, é de referir que, entre as personagens principais, não seria muito dificíl ser-se o melhor... A personagem da empregada é realmente forçada, e pouco estruturada.

 

A curta, presente em cerca de 10 festivais e vencedora de 3 prémios, entre os quais o "Até Breves 2009", conquistou o público presente, e isso foi notório nas reacções de quem assistiu. Para tal contribuiu, sem dúvida alguma, o twist final de uma história que só não leva nota superior porque a sua qualidade técnica deixa muito a desejar.

 

Se por um lado a parte sonora, entregue a Rui Coelho, se revela competente q.b., já a fotografia... Meu Deus. Miguel Moura prima pela péssima execução, tanto em planos de acção, como de aproveitamento de cenários e cores. Realmente pobre e pouco ambicioso.

 

Ainda assim, vale pela originalidade da história e pela oportunidade que nós dá de reflectir sobre a comunicação humana, e como um simples engano pode ter consequências catastróficas. Mas não se esqueça o espectador que, nas palavras do próprio realizador, "esta fita foi baseada numa anedota".

 

Por fim, terei de mencionar o último segmento da fita, em que Machado faz referência a uma outra curta, "Não Quero Morrer Hoje" de Rita Telles, que recupera o personagem Rafael, após as acções que se sucederam neste "Rafael e Maria".

 

E foi assim, com esta interessante curta, que terminámos a nossa noite pelos lados de Alvalade. E muito bem!

 

"Desculpe... Foi engano."

 

Nota Final: 7 / 10

 


Por Mafalda às 23:36
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Quando o Anjo e o Diabo Colaboram (2009)

 

Contando com um elenco de luxo, esta curta de final de curso realizada por Paula Soares (Licenciada no curso de Cinema da Universidade Lusófona) conta-nos a história de uma aposta entre o Anjo (Sandra Celas) e o Diabo (Rui Santos)!

 

Se o Mundo acabasse, quem teria mais pessoas à sua porta? O Céu, ou o Inferno? É esta a premissa a que ambos tentam dar resposta ao analisar um caso que envolve a morte de uma criança. O Parvo (João Villas-Boas) procura vingança junto daquele que acredita ser o responsável pela morte da sua filha, o Onzeneiro (Eduardo Viana), que tenta comprar o juíz, evitando assim ir parar à prisão.

 

O que nenhum dos dois sabe é que se encontram no mesmo local, a planear o seu próximo passo. E quando se apercebem desse facto... as consequências são desastrosas.

 

A ideia da curta é interessante e bem executada, denotando-se uma parte técnica muito bem conseguida. Vê-se inclusivé um grande cuidado com aproveitamento de cenários e falas, e a abordagem clara à peça que "Quando o Anjo e o Diabo Colaboram" teve por base ("Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente) é mais um ponto a favor.

 

Os actores estiveram todos eles a um nível a que já nos habituaram. Desde Ana Padrão, que enche o ecrã nos parcos segundos em que aparece, com a sua Alcoviteira, até aos protagonistas Celas e Santos, que abrilhantaram a curta com uma química natural que conferiu ainda mais graça a estes personagens completamente opostos.

 

É uma curta extremamente concisa, ciente do destino que quer atribuir a estas personagens conhecidas por todos nós. E embora fosse interessante partir para o seu visionamento com conhecimento de causa, que é como quem diz, tendo já tido algum contacto com a obra de Gil Vicente, não é de todo necessário para a compreensão da fita, que foi finalista, o ano passado, do prémio ZON.

 

Um bom começo para o "Quartas Curtas" sem dúvida alguma!

 

"A linha que separa o bem e o mal é ténue..."

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 22:55
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Terça-feira, 16 de Março de 2010

"O Dez" (2010)

 
 
 
No passado fim de semana, nos dias 13 e 14 deste mês, a RTP 1 transmitiu uma produção de Leonel Vieira intitulada "O Dez".
 
"O Dez" é um filme composto por 10 curtas, de diferentes realizadores e argumentistas portugueses, todas elas com o mesmo fio condutor: uma lenda portuguesa sobre 10 moedas amaldiçoadas que serviram como pagamento pela morte de Viriato, às mãos de um traidor. Séculos mais tarde, essas mesmas moedas foram encontradas por 10 viúvas que decidiram que o melhor a fazer seria espalhá-las pelas suas famílias. E agora, elas circulam entre nós...
 
Abordando o género terror/fantástico, pelo qual o Golden Ticket tem um especial carinho (ou não fosse a nossa incursão no MOTELx), achámos por bem abordar este projecto que se apresentou preparado para o lançamento em diversas plataformas, desde internet (dia 1 de Março no portal Sapo) até à televisão (na RTP 1).
 
Assim, brevemente, colocaremos em análise as 10 curtas, numa previsão de dois posts. Esperemos que gostem!
 

 


Por Mafalda às 19:04
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Sábado, 30 de Janeiro de 2010

Alive in Joburg (2005)

 

 

Curta metragem de ficção-científica que apaixonou Peter Jackson ao ponto deste se ver quase que na “obrigação” de convidar Neill Bloomkamp para partir com ele numa jornada cinematográfica intitulada “Halo”, filme baseado no jogo homónimo.

 

Contudo, o projecto acabou por ser cancelado, e a opção que surgiu foi a que acabou por resultar no filme “District 9”: seguir a ideia desta curta de Neill.

 

Tendo Joanesburgo, África do Sul, como pano de fundo, “Alive in Joburg” coloca-nos em íntimo contacto com a vida de um grupo de extraterrestres que, desde que chegaram ao nosso planeta, vivem isolados do resto da população, num local que se assemelha em tudo a um bairro social sem as mínimas condições. Agora, após anos de isolamento, os alienígenas ambicionam um regresso a casa...


Com uma concepção documental bastante credível, e efeitos especiais competentes, Bloomkamp (o responsável pelo famoso anúncio televisivo ao Citroen C4, bem ao estilo “Transformers”) consegue 6 minutos de puro deleite visual e cognitivo, permitindo uma abordagem bastante original ao já mais que explorado tema de fitas de ficção científica: uma “invasão” extraterrestre. Embora confesse que a sequência inicial poderia estar mais bem conseguida.

 

De referir que a veracidade da fita, nomeadamente nas entrevistas, tem uma boa explicação. Os entrevistados são, de facto, moradores pobres do bairro de Soweto, e quando questionados sobre os “illegal aliens” responderam como se de imigrantes se tratasse, uma vez que “illegal aliens” significa também “imigrantes ilegais”.


Um ponto que me desagradou foram alguns pormenores na composição dos extraterrestres, nomeadamente o facto deles se encontrarem vestidos com roupas humanas. Uma situação deveras caricata...

 

Produzido por Simon Hansen e Sharlto Copley (que assume também o papel de protagonista em “District 9”) e lançado pela Spy Films, estamos perante uma clara crítica ao racismo e que frisa bem o que foi o apartheid, invocando-o para seres não humanos.

 

Agora, resta-me ver “District 9” e confirmar se a boa premissa saiu a ganhar com a transformação em longa metragem. Mas para já, estão disponíveis os 6 minutos que lhe deram origem: http://www.youtube.com/watch?v=iNReejO7Zu8.

 

We don't want to be here, this place doesn't want us... we have nothing, nothing.

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 

 


Por Mafalda às 20:19
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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Stereo (2009)

 

 

Death Cab For Cutie. “A Movie Script Ending”. Foi este o videoclip que inspirou Toms Grēviņš a desenvolver uma tocante curta metragem de 8 minutos de duração.

 

É facto que estamos perante uma cópia quase exacta do vídeo referido, porém, Toms consegue alguns apontamentos que justificam a menção deste seu trabalho. Mas atentemos primeiro à sinopse da fita.

 

Lolita Sniega e Elina Eglite dão vida a um casal adolescente que se depara com um cenário de afastamento. A partida de alguém que amamos, a tomada de consciência de que, embora o retorno seja provável, uma série de bons momentos vai cessar, o medo de não os recuperar... Tudo isto é captado brilhantemente, distinguindo-se do vídeo musical pela sua maior carga dramática, química entre as actrizes e pelo dinamismo criado.

 

As palavras são inexistentes, pelo que o desenrolar da acção vive inteiramente da montagem fotográfica e da expressividade e veracidade das actuações. Toms consegue pois uma harmoniosa junção das partes, primando pelo bom gosto e competente recurso de técnicas de luz, cor, e até mesmo sonoras, com uma simples música de fundo que deixa, em situações pontuais, passar alguns sons do momento presente, como o som característico da praia, por exemplo, a acompanhar este projecto com selo Utopia.

 

Os bons pormenores no aproveitamento dos cenários, bem como a conjugação de diversos planos de acção são ainda outras das competências a ter em conta.

 

Funcionando quase como um hino à arte de fotografar, “Stereo” só não lhe vê atribuida uma nota superior devido essencialmente às elevadas semelhanças com o original em que se baseou.

 

A ver em http://www.youtube.com/watch?v=xAOfodDWAaE.

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 17:17
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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Ataque de Pánico! (2009)

 

 

Curta que se tornou mundialmente famosa pelo seu upload no Youtube, em Novembro de 2009, e que parece ter já encontrado potenciais interessados na sua adaptação para longa metragem.

 

O realizador da curta, o uruguaio Federico Alvarez, terá já mesmo sido contactado no sentido de transformar os seus 300 dólares de investimento, num filme de 30 milhões de dólares com a ajuda da Ghost House Pictures, os estúdios de Sam Raimi, responsável pela saga de “Spider Man”.

 

A chave do sucesso? Ficção científica. Pura e dura. É retratada a chegada à Terra (mais especificamente a Montevideo, a capital do Uruguai) de um exército de robôs gigantes que serão os responsáveis pela nossa destruição.

 

Estão lançados os dados de uma bela produção que começa na inocência de uma criança e acaba na terrível percepção do domínio das máquinas.

 

Embora com um guião simples, facto é que a excelência obtida na componente gráfica, tendo em conta os custos, é de aplaudir. Para a sua composição foram utilizados programas como Adobe Premier, Adobe After Effects, Adobe Photoshop, 3D Studio Max e Boujou.

 

A edição sonora está igualmente bem conseguida, sendo a banda sonora adequada a estes 5 minutos, aproximadamente, recheados de acção. A fotografia também não foi deixada ao acaso, aproveitando diversos monumentos da cidade e conferindo, por isso, mesmo maior veracidade e “desespero” à acção que se desenrola.

 

Obviamente que as questões que se levantam em “Panic Attack!” (nome fraquinho... eu sei), que demorou um ano a ser concebida (com várias interrupções pelo meio, segundo o próprio realizador), permanecem sem resposta, e assim será até à realização do longa. As expectativas são altas, e aguardaremos pacientemente pela sua produção.

 

Mas para já, assistam a este produto com selo Murdoc Film (um colectivo uruguaio responsável pela produção de curtas, videoclips e anúncios publicitários) em http://www.youtube.com/watch?v=-dadPWhEhVk.

 

E em forma de apontamento final, há que referir ainda que esta curta se inspirou numa outra de seu nome “Tyrants from Afar” (ou “Geweldenaren van Ver”, o título original holandês) e que contará também com crítica brevemente aqui no vosso GT.

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Paris By Night of the Living Dead (2009)

 


 

Fosse a gargalhada um acto fácil de transpôr por palavras, certamente começaria com uma! Porque é mesmo isso que pede esta curta-metragem francesa.

 

Um jovem casal (David Saracino e Karina Testa) celebra o seu matrimónio até uma mortífera interrupção... Os zombies dominam a cidade de Paris e os recém casados são os únicos capazes de lhes fazer frente. Pela força das balas e da moto-serra, conseguirão chegar vivos à lua de mel?

 

Realizada por Grégory Morin, esta curta, que antecedeu o visionamento do desastroso “Vinyan” (também com crítica neste vosso blog) no MOTELx, conseguiu conquistar a plenitude da plateia pelo seu humor negro e situações inusitadas, bem como pela acção frenética que se faz sentir ao longo dos 12 minutos de duração da fita.

 

As actuações não são nada de outro mundo, o que neste caso não importa muito, na medida em que contribui para a vibe trash e de série B que a curta parece procurar.

 

Com uma fotografia apelativa (com as ruas de Paris como o cenário de fundo ideal), sequências gore bastante bem conseguidas e, consequentemente, com alguns efeitos especiais caracterísiticos dentro do género em que se insere, estamos perante um hino aos filmes de zombies, sendo que o que interessa mesmo é toda uma dinâmica de destruição em massa das criaturas que povoam uma enorme parcela do mundo dos filmes de terror.

 

Uma película de fácil visualização que se prende a um coolness effect e que tem “divertido” e “irreverente” como palavras chave.

 

E fique o espectador a saber desde já que não só Paris tem direito a esta animação... Para mais, basta ver a curta até ao fim.

 

Nota Final: 6.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 20:58
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

A Aposta (2009)

 

 

Curta de 8 minutos de duração exibida no festival MOTELx e, também ela, nomeada para o prémio de melhor curta nacional.

 

A história que nos chega pelas mãos do realizador Vasco Sequeira apresenta-nos Maria (Sílvia Balancho) e Rita (Marta Borges), duas jovens que assistem a um filme de terror intitulado “O Manequim”. Enquanto que uma se revela fã incondicional do género, encarando-o como uma arte e portador de mensagens críticas à sociedade, por exemplo, a outra nada mais vê que um tipo de película que prima por cenas sem sentido, machistas e gore.

 

Além dessa visão, contrária à da “amiga” (o espectador terá oportunidade de perceber estas aspas), Maria insiste que não tem medo de nada, nem da morte. Cabe agora a Rita ver até que ponto as palavras de Maria devem ser levadas em conta, numa aposta deveras original...

 

Com bons planos e um ambiente cuidado, “A Aposta” prima pela simplicidade, e por uma total lacuna de explicações para o que se desenrola na acção. Contando com uma abordagem diferente, é uma curta leve, que se vê bem e com um interessante twist na relação dos personagens.

 

Contudo, não posso deixar de frisar alguns pontos que não me convenceram... nomeadamente alguma falta de expressão em determinados segmentos da fita (no assassinato que ocorre no filme de terror, e em alguns diálogos, por exemplo).

 

Porém, não deixem de a visualizar no seguinte link: http://www.youtube.com/watch?v=eRJaRxdYSaQ.

 

Para mim estes filmes são todos uma banhada, exploração machista e gratuita do sofrimento humano.”

 

Nota Final: 6.5 / 10


 

 


Sábado, 12 de Dezembro de 2009

I'll See You in My Dreams (2003)

 

Eis uma refinada aposta para quem quiser reunir o melhor de um filme de zombies, com tiradas de humor e uma pacatez tipicamente portuguesas.

 

Contando com nomes como Rui Unas, Sofia Aparício, São José Correia e João Didelet, entre outros, o autor Filipe Melo apresenta-nos uma curta metragem que tem como pano de fundo uma pacata vila assolada por zombies

 

De todos os habitantes da aldeia só Lúcio parece ainda ter a audácia de lhes fazer frente. Mas até mesmo o “herói” encerra um terrível segredo na cave de sua casa...

 

Assim se resume a história do filme através do qual o espectador, pela força da catana, se vê apto a desbravar terrenos nunca antes trilhados no terror português (de relembrar que “I'll See You in My Dreams” é honrosamente apelidado de o primeiro filme português com a temática dos zombies).

 

Personagens bem construídas, boa composição cénica (nomeadamente a nível do ambiente que se consegue recriar, caracteristicamente frio, sujo e sombrio), uma competente fotografia e um guião inteligente que joga com suspense e comédia, garantindo 20 minutos bem passados mas que, a meu ver, tinham história para muito mais.


E embora com ou outro efeito menos conseguido, convém relembrar que estamos perante uma curta que contou com um baixo orçamento, o que só vem valorizar ainda mais o trabalho desenvolvido, e a capacidade demonstrada em fazer bom cinema com poucos recursos. Digno de registo!

 

De notar ainda a falta de explicações quanto à infestação da vila pelas terríveis criaturas. O facto de a acção partir do momento em que a aldeia já vive quase como que num quotidiano com a presença dos zombies é deveras refrescante e, por isso mesmo, aceitável esse “lapso” na narração.

 

Será pois de concluir que houve uma tremenda eficácia no contar da história, bem como no twist final, que certamente será do agrado do espectador. E viva a velha máxima de que filmes de zombies retratam uma sociedade corrompida!

 

Com banda sonora a cargo de Moonspell, esta película revela-se imperdível para fãs do género e não só. A provar como se faz bom cinema em Portugal.

 

Se há algo que eu não suporto nesta aldeia... é a merda dos zombies.”

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 04:12
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Partly Cloudy (2009)

 

 

Curta de 6 minutos de duração, com selo Pixar e que antecedeu a transmissão de “UP” nos cinemas. E que bela curta de animação!

 

Uma nuvem. Uma cegonha. Bebés. Muitos bebés. As nuvens, através da sua própria composição e da força dos raios, trazem à vida bebés de todas as espécies. Mas há uma nuvem, Gus, que tem tendência para criar bebés mais “problemáticos” e perigosos: crocodilos, enguias, porcos-espinhos... E quem acaba por sofrer é mesmo a sua fiel amiga Peck, a cegonha responsável pelo transporte dos bebés.

 

Os dias passam, os transportes sucedem-se... até ao dia em que a cegonha parte para outra nuvem...

 

Isento de diálogos, esta curta de Peter Sohn (um dos storyboarders da Pixar que, curiosamente, foi a voz de Emile na versão original de “Ratatouille”) é a prova de como a partir de uma tão simples ideia, e num tão curto espaço de tempo, se consegue produzir um produto qualitativamente rico.

 

Os excelentes efeitos são já uma constante em qualquer trabalho que se apresente como sendo um produto Pixar, e claro, "Parcialmente Nublado" não foge à regra, conseguindo um belíssimo jogo de cores e texturas, aliado a bons efeitos sonoros, imprescindíveis dada a falta de diálogo da curta. Sem qualquer ponto negativo a apontar, portanto.
 

Os valores da amizade, a sua resistência à mágoa (física ou não), e a sua capacidade de se fortalecer, são abordados de maneira enternecedora, e que soube certamente conquistar os espectadores que aguardavam pelo visionamento da longa que se seguia. Mas a espera foi tudo menos desagradável isto porque, uma vez mais, a Pixar provou que não se limita só em realizar produtos para as crianças, proporcionando também aos adultos histórias que têm um significado especial, uma lição de vida e o poder de invadir e despertar todo o seu imaginário.
 

Assim vale a pena. A ver aqui: http://www.redbalcony.com/?vid=24992. Não percam!
 

Nota Final: 9 / 10

 

 

 


Domingo, 15 de Novembro de 2009

Papá Wrestling (2009)

 

Que dizer de uma das melhores curtas a passar pelo MOTELx?


Não quero de modo algum com esta afirmação subvalorizar a curta vencedora, até porque, infelizmente, não a consegui visualizar (pelo menos para já), porém, devo dizer que nada me espantaria ver “Papá Wrestling” sair coroado desta pioneira iniciativa. Ainda assim, conseguiu sair do Festival com uma menção honrosa atribuída pelo júri e que não foi, de todo, atribuída “à toa”, senão vejamos...


Extremamente gore, masoquista, divertido (!), criativo e inovador, “Papá Wrestling” apresenta ao espectador a história de um tímido rapaz (Bruno Silva) que é mal tratado pelos rufias da escola. Um dia, roubam-lhe a lancheira do almoço, e humilham-no. Chegando a casa, o rapaz conta o sucedido ao pai (Clemente Santos), um wrestler na reforma, que sem pensar duas vezes parte em busca de uma vingança sangrenta...


A nível interpretativo, não é demais afirmar que os jovens “actores” têm uma prestação claramente fraca, factor que só se consegue esquecer pelo argumento inebriante, rico em humor negro (o qual estamos, infelizmente, pouco habituados a ver) e virtuosamente elaborado por Fernando Alle. Outro dos pontos fortes da curta de 8 minutos de duração prende-se com o contraste latente da personagem do pai. Se por um lado é extremamente carinhoso e preocupado com o filho, por outro é capaz das maiores atrocidades contra aqueles que de alguma forma o prejudicam.


Os efeitos especiais e sonoros estão bastante bem conseguidos, quanto mais não seja pelo teor pesado que a curta exige. A agressividade é latente e permite um cheirinho ao estilo Tarantino que é sempre digno de se ver.


Imperdível, um verdadeiro must see dentro do género. A conferir em http://www.youtube.com/watch?v=xPZMmjRceqM.


Papá, os meninos maus da escola roubaram-me a lancheira que tinha o almoço que tu fizeste com tanto amor e carinho.”
 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 02:37
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

O Homem Violento (2009)

 

Três actos compõe esta curta de Pedro Florêncio: a Avó, o Bebé e o Piquenique.

 

Durante 6 minutos, as acções subdividem-se com o intuito de chocar e permitir jogos psicológicos entre aquilo que vemos, e o que sabemos ser o resultado de uma série de actos psicóticos por parte de um jovem que é, pelos menos aparentemente, capaz de mostrar e despertar algumas emoções (a forma como pega no bébe, é disso um bom exemplo).

 

Com uma leitura de trás para a frente, dado que somos introduzidos à fita com o final da mesma, o espectador não chega a compreender muito bem o que leva o rapaz a cometer tais acções. E, embora eu muitas vezes defenda que nem sempre uma explicação é necessária, fica a ideia de que algo mais poderia ter sido feito. Sente-se uma lacuna no facto de conseguir mostrar sentimentos, mas ao mesmo tempo ter a frieza para matar. É um factor complexo e pouco explorado.

 

Isento de falas, “O Homem Violento” vive da banda sonora ora em crescendo, ora completamente ausente, que deixa o espectador inebriar-se com os sons característicos do ambiente em que se encontra. Sente-se uma violência também ela crescente com o decorrer da fita, tornando-se tudo mais gráfico à medida que mudam os planos de acção (duas parcelas das acções ocorrem em off-screen, sendo que o final se mostra nú e crú).

 

Assim, apesar do abrupto final, certo é que esta curta cumpre aquilo a que se propôs, revelando-se uma das mais bem produzidas do festival. Facto que poderá comprovar aqui: http://www.youtube.com/watch?v=fBWJ3h7OqXc.

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 00:42
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Domingo, 4 de Outubro de 2009

And From Now On There Shall Be No More Wolves (O Caçador) (2009)

 

 

 

Mais uma curta portuguesa que esteve a concurso no MOTELx e que se pode muito bem resumir numa palavra: poética. O jogo de luzes e cenários permite uma abordagem estéticamente bonita, claustrofóbica e convincente, que nos prende até ao final, numa expectativa crescente.

 

Ana Moreira, a par de Cláudio da Silva, protagoniza esta película realizada por Joana Linda e que tem a morte, e a espera pela mesma, como agentes principais da acção. São minutos de ansiedade por parte do espectador que pode ter várias leituras sobre o mesmo segmento que se lhe apresenta, ao mesmo tempo que vê a relação dos protagonistas como um contraponto atenuante da situação experienciada pela personagem de Ana.

 

Um filme de vampiros? Um filme de lobisomens? Algo com ou sem nexo? Que situação é esta que se desenrola perante os nossos olhos?

 

São diversas as questões que se levantam e que culminam num grito desesperado, que ecoa na memória findos os 15 minutos de duração da curta, e uma mensagem que fica, de que o caminho para aquele que se apresenta como o fim de um ciclo, deve ser trilhado de forma balanceada entre o consciente e o inconsciente. Porque há fugas que não são possíveis, nem concretizáveis.

 

A protagonista encontra-se numa dessas fugas, assim como o espectador, que não deve por nada perder este hino aos sentidos e a um dos maiores medos do ser humano. Imperdível, e a meu ver, uma das melhores curtas apresentadas no Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. O prémio teria sido bem atribuído, como poderão comprovar aqui: http://www.bright-white-light.com/diary/?page_id=1506.

 

"Ela está a chegar... Tem pressa, tem fome..."

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 14:11
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

F.R.U.N.C. (2009)

 

 

Curta com produção a cargo de DROID i.d., que poderia ser um par de minutos bem passados... mas não é bem.

 

Falta qualquer coisa na essência desta curta de Paulo Prazeres para estar ao nível de muitas das outras que passaram pelo MOTELx deste ano. A história do homem que vai ao médico porque tem um frúnculo, que não é bem, deixa bastante a desejar.

 

Embora seja uma curta despretenciosa e cujo principal intuito é entreter e abordar uma vertente algo cómica, certo é que, talvez pelo excesso de tempo perdido com os créditos, por alguns efeitos menos conseguidos ou por uma interpretação um tanto ou quanto desligada por parte dos actores, foi uma das mais fracas que tive oportunidade de visualizar.

 

A inovação e ousadia nem sempre são premiadas, e muito menos, bem executadas, e “F.R.U.N.C.” chega a roçar a mediocridade em determinados pontos. Com conotação de um qualquer anúncio televisivo, mostra-se dispensável, valendo somente pela boa edição sonora.

 

Ainda assim, podem vê-la em http://www.youtube.com/watch?v=_rPsuGRnIM8.

 

“Doutor... eu tenho um frúnculo, mas não é bem.”

 

Nota Final: 2 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 19:39
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Lazarus Taxon (2008)

 

 

Se deixar a crítica em branco fosse uma fiel representação do silêncio que se abateu sobre a sala 3 do cinema São Jorge após a visualização desta curta, então, seria mesmo isso que deveria fazer.

 

Por falta de compreensão do final (confesso que foi o meu caso) ou simplesmente por desilusão, certo é que “Lazarus Taxon” não arrancou sequer um solitário bater de palmas.

 

Encarando as mudanças climatéricas como agente apocalíptico, acompanhamos a jornada de um pai (Ariel Casas) que transporta o cadáver da filha (Maia Jenkinson), para que esta possa ser ressuscitada.

 

Paleontológicamente falando, o nome desta curta de Denis Rovira van Boekholt refere-se a uma espécie que deixou de existir, mas que reaparece anos mais tarde. Funciona portanto como metáfora para o que aquele homem cansado, desesperado, mas que ainda assim encontra forças graças ao amor incondicional pela filha, procura ao atravessar o Novo Mar num simples bote.

 

A príncipio somos atraídos por uma caracterização sublime, deslumbrantes planos de acção e uma fotografia sombria e envolvente, que funciona como promessa de algo maior por vir. O cenário de devastação e isolamento é uma mais valia, mas, no final, vê-se dilacerado por um conjunto sem nexo de acções que comprometem o esforço imposto nestes 15 minutos.

 

O estudo do sofrimento humano, com prismas sobre o medo e a fé que promovem a ideia de um futuro provável, em que a sobrevivência e os limites do ser humano são postos à prova, será certamente o mais apelativo da curta. Alguns chamar-lhe-ão “incompreendido”, e talvez com razão. Vale pelos minutos iniciais e por uma premissa que merecia um desfecho mais elaborado.

 

“Todo irá bien hija...”

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 09:21
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Mamá (2008)

 

A curta internacional de menor duração do festival MOTELx deste ano apresenta-se bem ao estilo do que o cinema de terror espanhol já nos habituou. Em 3 minutos são-nos apresentadas as irmãs Victoria (Berta Ros) e Lili (Victoria Harris). Victoria dormia descansada, até Lily a acordar abruptamente, anunciando a chegada de alguém... Uma entidade maléfica da qual as duas meninas têm de fugir: a sua própria mãe (Irma Monroig).

                 

Com bons efeitos especiais, e uma caracterização e fotografia a fazer lembrar o fantástico “El Orfanato” de Juan Antonio Bayona, este “Mamá” de Andres Muschietti, arrancou entusiásticos aplausos da audiência, muito pela destreza de acções e tensão palpável da história. É uma ideia bastante interessante jogar com uma personagem tão próxima das crianças, que certamente se debaterão interiormente sobre o que fazer perante tal situação.

 

E não foi só o público do MOTELx que se apercebeu disso. Guillermo Del Toro e a editora Universal acordaram já a produção de uma longa metragem baseada nesta mesma curta. E claro, a cargo de Muschietti.

 

Se por si só “Mamá” é já um bom produto (embora algo previsível, confesso), o que esperar da longa metragem? O melhor, quase de certeza. Mas para já, ficam estes 3 minutos que não devem deixar de conferir.

 

“Victoria, no mires, vamos!”

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 22:11
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