Domingo, 19 de Setembro de 2010

Antichrist (2009)

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Podem consultar as restantes páginas da Revista Golden Ticket #2 - Mindfuck Movies aqui: http://goldenticket.blogs.sapo.pt/138862.html


Por Diogo às 14:43
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Sábado, 31 de Julho de 2010

Rafael e Maria (2008)

 

Realizada por Ricardo Machado, no seu 2º ano de Licenciatura em Cinema e Audiovisual da Universidade Moderna, esta curta traz-nos a história de um homem, Rafael (Nuno Melo), que aparenta ter sido traído pela mulher. Desesperado e vendo a sua empregada, Maria, como potencial veículo de vingança, toma uma decisão que mudará as suas vidas...

 

À primeira vista, parecerá ao espectador que estamos perante uma curta-metragem dramática quando, na realidade, o seu conteúdo narrativo se consegue distanciar substancialmente desse espectro.

 

Nuno Melo, a única cara conhecida do elenco, tem uma prestação dinâmica e de acordo com aquilo que tem mostrado ao público português. É, de facto, um bom actor. Porém, é de referir que, entre as personagens principais, não seria muito dificíl ser-se o melhor... A personagem da empregada é realmente forçada, e pouco estruturada.

 

A curta, presente em cerca de 10 festivais e vencedora de 3 prémios, entre os quais o "Até Breves 2009", conquistou o público presente, e isso foi notório nas reacções de quem assistiu. Para tal contribuiu, sem dúvida alguma, o twist final de uma história que só não leva nota superior porque a sua qualidade técnica deixa muito a desejar.

 

Se por um lado a parte sonora, entregue a Rui Coelho, se revela competente q.b., já a fotografia... Meu Deus. Miguel Moura prima pela péssima execução, tanto em planos de acção, como de aproveitamento de cenários e cores. Realmente pobre e pouco ambicioso.

 

Ainda assim, vale pela originalidade da história e pela oportunidade que nós dá de reflectir sobre a comunicação humana, e como um simples engano pode ter consequências catastróficas. Mas não se esqueça o espectador que, nas palavras do próprio realizador, "esta fita foi baseada numa anedota".

 

Por fim, terei de mencionar o último segmento da fita, em que Machado faz referência a uma outra curta, "Não Quero Morrer Hoje" de Rita Telles, que recupera o personagem Rafael, após as acções que se sucederam neste "Rafael e Maria".

 

E foi assim, com esta interessante curta, que terminámos a nossa noite pelos lados de Alvalade. E muito bem!

 

"Desculpe... Foi engano."

 

Nota Final: 7 / 10

 


Por Mafalda às 23:36
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Quando o Anjo e o Diabo Colaboram (2009)

 

Contando com um elenco de luxo, esta curta de final de curso realizada por Paula Soares (Licenciada no curso de Cinema da Universidade Lusófona) conta-nos a história de uma aposta entre o Anjo (Sandra Celas) e o Diabo (Rui Santos)!

 

Se o Mundo acabasse, quem teria mais pessoas à sua porta? O Céu, ou o Inferno? É esta a premissa a que ambos tentam dar resposta ao analisar um caso que envolve a morte de uma criança. O Parvo (João Villas-Boas) procura vingança junto daquele que acredita ser o responsável pela morte da sua filha, o Onzeneiro (Eduardo Viana), que tenta comprar o juíz, evitando assim ir parar à prisão.

 

O que nenhum dos dois sabe é que se encontram no mesmo local, a planear o seu próximo passo. E quando se apercebem desse facto... as consequências são desastrosas.

 

A ideia da curta é interessante e bem executada, denotando-se uma parte técnica muito bem conseguida. Vê-se inclusivé um grande cuidado com aproveitamento de cenários e falas, e a abordagem clara à peça que "Quando o Anjo e o Diabo Colaboram" teve por base ("Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente) é mais um ponto a favor.

 

Os actores estiveram todos eles a um nível a que já nos habituaram. Desde Ana Padrão, que enche o ecrã nos parcos segundos em que aparece, com a sua Alcoviteira, até aos protagonistas Celas e Santos, que abrilhantaram a curta com uma química natural que conferiu ainda mais graça a estes personagens completamente opostos.

 

É uma curta extremamente concisa, ciente do destino que quer atribuir a estas personagens conhecidas por todos nós. E embora fosse interessante partir para o seu visionamento com conhecimento de causa, que é como quem diz, tendo já tido algum contacto com a obra de Gil Vicente, não é de todo necessário para a compreensão da fita, que foi finalista, o ano passado, do prémio ZON.

 

Um bom começo para o "Quartas Curtas" sem dúvida alguma!

 

"A linha que separa o bem e o mal é ténue..."

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 22:55
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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Sex and the City 2 (2010)

 

Muito melhor que o primeiro! Pronto, é tudo. Bye bye.

 

...

 

Parecia! Um início de crítica em tom de brincadeira, pois também assim se apresenta este segundo capítulo cinematográfico da conhecida, e controversa, série televisiva "O Sexo e a Cidade".

 

Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis) estão de volta para mais um desfile... quero dizer, mais uma aventura recheada de comédia, sexo, traições, e crises... Muitas crises!

 

A colunista Carrie está já no seu 2º ano de casamento com Big e sente que, aos poucos, o casal vai entrando em rotina. Miranda vê-se a braços com problemas no trabalho e Charlotte trava árduas batalhas diárias no seu papel de mãe. Por seu lado, Samantha atravessa a fase por ela menos desejada: a menopausa. Por entre hormonas, babysitters e dias de folga do casamento, as 4 amigas vêem uma potencial viagem a Abu Dhabi como a escapatória ideal para os seus problemas. Porque, convenhamos, haverá algo melhor que férias totalmente pagas num dos locais mais exóticos e requintados do Mundo?

 

Por entre cenários majestosos, roupas que são o último grito da moda, luxos variados e peripécias sem fim, as 4 nova iorquinas que conquistaram uma geração, promovem neste filme nada mais que uma boa disposição cujo objectivo primordial consiste em figurar nos lugares cimeiros do box-office. Contando com participações especiais de Liza Minelli (em excelente forma física diga-se), por exemplo, tudo funciona em concordância com a ideia de entreter o espectador. Sem pretenciosismos, porque é disso mesmo que se trata. Entreter divertindo. E o realizador Michael Patrick King consegue-o, na maior parte das vezes, através da personagem de Kim Cattrall que, apesar de claramente mais velha, consegue desarmar o espectador com as suas tiradas. Mas isto, não é novidade. Samantha sempre foi, e sempre será, o grito mais sonante na confiança e liberdade feminina no mundo de "Sex and the City".

 

Sucintamente, o filme não traz nada de novo e o seu público alvo não poderia ser mais específico, mas a verdade, é que no seu conjunto, "O Sexo e a Cidade 2" vive de uma fórmula que funciona na perfeição, e que me permitiu uma tarde agradável com alguém que já ia precisando de soltar umas boas gargalhadas. Divertimo-nos imenso, e por isso mesmo, não posso deixar de atribuir a nota que se segue. Livre de qualquer preconceito ou pudor! E um bem haja a todos os que me convenceram a assistir à fita!

 

"Condoms! Condoms! Yes! Condoms! I HAVE SEX!"

 

Sim, tinha mesmo de ser esta a quote. Vejam o filme, apreciem a cena, e ficará claro o porquê da minha escolha recair sobre esta situação em específico. Só numa palavra: Samantha!

 

Nota Final: 6.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 03:22
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Contraluz (2010)

 

Quem me conseguir convencer que não perdi 90 minutos, numa sala de cinema recheada de casais, a ver "Backlight", que mo comunique com a maior brevidade possível. Porque se não fosse pela excelente companhia, muito provávelmente a minha cabeça não teria albergado outro pensamento que não o de sair da sala.

 

Isto porque acabei por me deparar com o típico filme de sábado à tarde, com uma história que relaciona diversas personagens, mostrando as suas fraquezas e situações de desespero, jogando com os acontecimentos que podem mudar o curso de uma vida, bem como a dicotomia entre vida e morte. Somos levados a assistir às mesmas acções, num mesmo espaço temporal, somente com a diferença de perspectiva, técnica esta que se apresenta mesmo como uma das poucas mais valias da fita.

 

Existem bons elementos, é verdade, como uma narrativa dinâmica, uma ideia que bem explorada poderia dar frutos e, inequívocamente, o seu carácter humano, amplamente presente na fita. Mas tudo está mal aproveitado. As prestações dos actores são realmente fracas, as piadas são do mais forçado que se possa imaginar (Justin Time... i mean, what the...), e os clichés sucedem-se a olhos vistos (e atenção, relembro o preclaro leitor que não encaro este factor como sendo necessáriamente prejorativo).

 

Soube-me a pouco esta 4ª longa metragem de Fernando Fragata (o realizador responsável por "Pulsação Zero", "Pesadelo Cor-de-rosa" e "Sorte Nula"), que poderia muito bem manter o trailer, fazer dele uma curta et voilá! Um óptimo e interessante projecto. Reconheço porém o marco que foi alcançado por Fragata. O carácter hollywoodesco que tentou imprimir na película é notório, e reflecte-se qualitativamente em determinados pormenores, mas especialmente na fotografia, que se exprime por cenários lindíssimos, e que transmitem um profissionalismo que pode, quem sabe, vir a ser transmitido além terras lusas.

 

Agora, caso tenha oportunidade de rever a fita, muito provavelmente me vai sair um sentido "Ai não!". Sim, aquela expressão que ficou registada na minha cabeça, proferida por uma espectadora sentada atrás de mim e do Diogo, e que deveria ser a citação no final da crítica. Mas como não devo fugir ao registo habitual, vou antes utilizar, as usual, uma citação do filme, que encaixa que nem uma luva para o sentimento com que abandonei a sala de cinema do Colombo:

 

"Please, make a u-turn. You're on the wrong course to your destination."

 

E não é que estivemos mesmo?

 

Nota Final: 5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 10:12
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Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

Sexta a 3 - Green Zone (2010)

 

Ano de 2003. Cidade de Bagdad, no Iraque. As tropas americanas invadiram o país e conseguiram pôr termo ao governo de Saddam Hussein. Agora, cabe aos homens no terreno encontrar a localização das armas de destruição em massa que ameaçaram o mundo. O Sargento Roy Miller é um dos soldados americanos no Iraque, cuja missão é encontrar essas mesmas armas. Mas a verdade, só agora vem ao de cima. Miller vê-se perante um esquema bem montado pelas mais altas patentes do Governo americano, que assim utilizaram as ADM como desculpa para a ocupação do país.

 

Agora, perseguido pelo Pentágono, conseguirá o soldado repôr a verdade, contrariando assim a farsa que justificou a invasão do Iraque pelas tropas norte-americanas?

 

Diogo: em actualização...

 

Hugo: em actualização...

 

Mafalda: Nova parceria, novo projecto ganho. Muito resumidamente, é assim "Green Zone", realizado por Paul Greengrass e protagonizado por Matt Damon, a dupla dos brilhantes "Bourne Supremacy" e "Bourne Ultimatum". O jogo de corrupção que se faz sentir na fita é latente e cativa a atenção do espectador, muito por se tratar de uma suspeita legítima sobre a verdadeira razão que levou o governo americano a ocupar o país de Saddam. O foco sobre uma tão recente polémica suscita curiosidade, e as interpretações de Damon e Greg Kinnear conferem uma ainda maior consistência ao guião (mas não pela profundidade dos seus personagens, dado que o filme é mais de situação que propriamente de estudo de carácteres). O modo de captação de imagem camera on hand é também característico (o espectador poderá reconhecer esta técnica dos já referidos filmes Bourne) e mostra-se adequado ao cenário de guerra (bastante realista diga-se). De mencionar por fim a prestação de Khalid Abdalla cuja personagem consegue impregnar na fita a visão do lado iraquiano, numa performance bem conseguida e crucial para o desenrolar da acção. Eis então uma boa aposta para adeptos de thrillers com cariz político com um toque considerável de acção.

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 18:38
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Sábado, 3 de Abril de 2010

The Blind Side (2009)

 

E eis que chega finalmente às nossas salas de cinema o filme que valeu a Sandra Bullock uma onda de prémios para Melhor Actriz!

 

"The Blind Side" ou, em português, "Um Sonho Possível", baseia-se na história de vida do jogador de futebol americano, Michael Oher (Quinton Aaron). É-nos permitido acompanhar a adolescência do jovem, que foi separado da mãe toxicodependente com apenas 8 anos de idade, até à sua entrada na conceituada universidade do Mississipi. Mas esse caminho, esteve longe de ser fácil. Uma adolescência marcada pela falta de um lar e por condições de vida adversas, foi vivida por Michael, até ao dia em que se cruza com Leigh Anne Tuhoy (Sandra Bullock), uma republicana rica, cristã, e que tudo fará para ajudar "Big Mike" - como o jovem era tratado - a vencer na vida.

 

Realizado por John Lee Hancock, "The Blind Side" é a típica história que apela ao crescimento humano e à sua ascensão com base nas suas capacidades e força de vontade. É verdade que cede a inúmeros clichés, mas isso não o torna um mau filme, aliás, longe disso! Embora confesse que achei um pouco demais a sua nomeação ao Óscar de Melhor Filme. Mas é o filme "tipicamente americano", portanto não é de admirar a nomeação.

 

A nível interpretativo, há que frisar dois pontos. Primeiro, a boa prestação de Kathy Bates, com uma personagem bastante engraçada e que se torna numa mais valia na recta final da fita. E claro... o Óscar para Sandra Bullock. A melhor forma que encontro para justificar este Óscar é o facto de se dever essencialmente à conduta do personagem. Durante duas horas, Bullock presenteia-nos com uma vigorosa e segura performance, cheia de pormenores que conferem uma indubitável veracidade à acção. Sim, é agradável, e já era tempo de premiar a "namoradinha da América". Mas ainda assim, sinto-me dividida... Carey Mulligan em "An Education" não me sai da cabeça... Enfim, adiante.

 

Diálogos realistas e situações que conseguem, felizmente, fugir do drama exagerado em que se poderiam deixar cair, são ainda mais dois pontos a assinalar. Os créditos finais com as fotos dos reais implicados na história que é contada é também um nice touch, e permite uma maior proximidade com a história, se é que tal já não foi alcançado durante os 120 minutos.

 

Eis então uma versão light de "Precious" que garante 2 horas de bom entretenimento, e transmite uma positiva lição de vida. Dispõe bem, e o espectador agradece.

 

"If you die trying for something important, then you have both honor and courage, and that's pretty good. I think that's what the writer was saying, that you should hope for courage and try for honor."

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

Sexta a 3 - Law Abiding Citizen (2009)

 

Clyde Shelton (Gerard Butler) era um bom pai de família e cidadão exemplar... até ao dia em que a sua casa é assaltada e ele assiste, impotente, ao assassinato da sua mulher e da sua filha por dois criminosos, Darby (Christian Stolte) e Ames (Josh Stewart). Após investigações, mas com provas inconclusivas, Nick Rice (Jamie Foxx), o provedor responsável pelo caso, vê como única solução fazer um acordo com um dos criminosos: se Darby aceitar testemunhar contra o colega, terá uma diminuição da sua pena. E é assim que, para não perder o caso, Nick consegue a condenação à morte de um deles, e apenas 3 anos de clausura para o outro (que, curiosamente, foi o executante das mortes).

 

O que não se esperaria era que, 10 anos depois de o caso ter sido arquivado, voltassem a haver desenvolvimentos. E que desenvolvimentos... O criminoso setenciado a apenas 3 anos é encontrado morto, e Shelton assume a culpa. Já preso, o homem que tudo perdeu avisa Nick: ou o erro judicial de à 10 anos é corrigido, ou todos os envolvidos com o caso morrerão.

 

Mas como conseguirá um homem já preso continuar uma onda de crimes?

 

Diogo: Uma passível e compreensível vingança de um homem de família que viu a sua esposa e filha serem assassinadas sem qualquer tipo de compreensão, transformou-se então num argumento com contornos... explosivos. Todo o desenrolar do filme revela-se bastante interessante, numa mistura de puzzles inteligentes, jogos legais e acção que aumenta exponencialmente com o aproximar do fim da fita. Este, entenda-se – o aproximar do fim da fita, foi algo que me deixou desmotivado. Sem usar qualquer tipo de 'spoiler', digo que esperava uma continuidade inteligente da história e não uma acção 'bruta'... Apontando isto e espectando ou não que todos os carros expludam, que e como quem diz, tendo partes mais previsíveis ou não, a verdade é que este "Um Cidadão Exemplar" acaba por ser uma boa escolha para um qualquer fim-de-semana.

 

Nota final: 7.5 / 10

 

Hugo: Podemos dizer que Law Abiding Citizen é uma boa surpresa. Realizado por F. Gary Gray (The Italian Job) e escrito por Kurt Wimmer (escritor do grande Equilibrium), Law Abiding Citizen tem uma história bastante inteligente em que o espectador é levado a pensar sobre o que está (ou quem está) errado e o que está certo. Porém, o final da história, é algo desanimador, pois após um desenrolar de todo o enredo com bons twists, o final surge com algo fácil e rápido de assimilar mas que não se enquadra no resto do filme. No entanto, somos presenteados com uma grande performance de Gerard Butler. Já Jamie Foxx, tem um desempenho simplesmente medíocre. Não sendo um grande filme, é sem dúvida uma boa escolha para passar uma tarde agradável na sala de cinema.

 

Nota Final: 7 / 10

 

Mafalda: presa do primeiro ao... último minuto? Não, nem por isso. Assim descrevo a minha situação aquando do visionamento de "Um Cidadão Exemplar", realizado por F. Gary Gray e com argumento a cargo de Kurt Wimmer (responsável pelo argumento de "Equilibrium"). Um guião inteligente e com uma boa premissa que, embora apresente uma ou outra falha no que a credibilidade diz respeito, permite assumir este projecto como um competente thriller, que mexe com a nossa noção do certo e do errado. Porém, o ponto negativo chega na recta final. Não com a derradeira cena, entenda-se, mas sim com o que a ela levou. Uma investigação rápida demais, com uma execução simplista e que contraria o ritmo imposto previamente pela fita. Merecia algo mais... rebuscado. Porque a essência do filme parece perder-se, e é isso que o impede de ir "mais além". Contudo, será aconselhável a quem quiser apreciar rasgos da genialidade de "Seven", ainda que numa dose bastante mais inferior. De mencionar também a boa interpretação de Gerard Butler, e da imposição do filme em não ser encarado como uma lição de moral, mas sim como uma exposição das fragilidades do sistema de justiça, e essencialmente, livre de tomada de partidos.

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 23:26
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Terça-feira, 30 de Março de 2010

Dear John (2010)

 

John Tyree (Channing Tatum) é um soldado das forças especiais norte americanas que se encontra de dispensa na sua terra natal. Lá conhece Savannah (Amanda Seyfried), uma jovem estudante que se encontra nas suas férias de Verão. Os dois acabam por se apaixonar e, nas duas semanas em que estão juntos, cresce entre eles um amor capaz de resistir à distância e ao tempo impostos pelo serviço militar de John.

 

Um ano depois, ele está finalmente livre para voltar para os braços de Savannah... não fosse o fatídico dia 11 de Setembro. O dia negro da história da América leva o rapaz a realistar-se e a ter de partir numa nova missão, por tempo indeterminado.

 

É então que tudo se complica, pois para Savannah algo mudou. Mas os sentimentos, será que também eles mudaram?

 

As actuações de Tatum e Seyfried nesta adaptação do romance homónimo de Nicholas Sparks são competentes q.b., mas falta qualquer coisa. Talvez uma maior consistência do guião que, ao contrário do que se esperava, nem uma lágrima me fez verter.

 

Não era de todo disto que estava à espera, pois um bom romance que se preze deve sempre carregar consigo alguma carga dramática (o que não significa melodrama, atenção!), coisa que, neste filme, não se verifica. Um ou outro momento mais tocante somente graças ao grande Richard Jenkins. Mas não podemos esperar que um actor, embora brilhante, salve algo que, à partida, nem sequer merece ser salvo.

 

Falta um quê de profundidade nesta fita do realizador sueco Lasse Hallstrom, responsável pelo belíssimo filme "Chocolat" com Johnny Depp e Juliette Binoche. E mesmo a banda sonora de "Juntos Ao Luar" não é, de todo, adequada a muitas das cenas, o que leva a algum alheamento dos sentimentos para com as situações apresentadas. Tudo é bastante superficial e plástico, como os diálogos, por exemplo. Um dos melhores pontos será mesmo o nível técnico, com cenários agradáveis aos olhos dos espectadores, e algumas bons planos de câmara.

 

Resta-nos agora esperar que a próxima adaptação de um livro de Nicholas Sparks, "The Last Song", com estreia prevista para este ano, se aproxime mais da qualidade de "The Notebook" e menos da (fraca!) qualidade deste "Dear John".

 

"The saddest people I've ever met in life are the ones who don't care deeply about anything at all."

 

Nota Final: 4 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 19:14
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Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Sexta a 3 - Everybody's Fine (2009)

 

Com o realizador Kirk Jones chega uma nova versão do filme italiano, de 1990, "Stanno tutti bene" de Giuseppe Tornatore, no formato de comédia dramática, que nos conta a história de Frank Goode (Robert DeNiro), um viúvo que vive para os filhos e para todos os momentos que passa com estes.

 

E um desses momentos está para breve. É Verão, e todos eles estarão reunidos na casa do pai. Mas, curiosamente, este ano, todos desmarcaram o encontro. Agora, Frank percorrerá os quilómetros que os separam, por Nova Iorque, Denver, Chicago e Las Vegas, e descobre que as vidas dos seus filhos não são exactamente como eles lhe diziam. Mas há algo mais, um segredo que 3 deles tentaram ocultar...

 

Diogo: em actualização...

 

Hugo: Existem poucas palavras que podem descrever este filme. Pode não ser um filme para massas mas com certeza irá atingir os sentimentos de cada pessoa de maneira diferente. Este é sem duvida um dos melhores desempenhos de Robert De Niro nos últimos anos e isso reflecte-se no ecrã de maneira bem positiva. Kirk Jones escreve e realiza esta fita de forma inteligente e ao mesmo tempo com uma simplicidade que nos faz ficar agarrados ao ecrã à espera da próxima viagem de Frank ou até mesmo ansiosos por perceber as mentiras que os filhos lhe estão a impingir. Por falar em filhos, é de realçar também os desempenhos bastante agradáveis de Kate Beckinsale, Drew Barrymore e Sam Rockwell. Para acabar, gostaria de avisar para não se deixarem enganar pelo trailer pois faz transparecer que Everybody's Fine é, praticamente, uma comédia. Este é um dos dramas imperdíveis do ano e espero que tenha o sucesso que merece.

 

Nota Final: 8 / 10

 

Mafalda: bem que o Hugo me avisou! O trailer para este "Estão Todos Bem" consegue ser bastante enganador. Pensando que me ia deparar com uma comédia, acabo a chorar na sala de cinema! Eis pois um road trip movie que mexe com relações familiares com que muitos de nós se podem identificar. Técnicamente falando, é na simplicidade que muitas vezes se ganham apostas, e esta película não é excepção. Contando com um show de representação de DeNiro, e agradáveis performances de Sam Rockwell, Kate Beckinsale e Drew Barrymore, estamos perante um projecto que prima por pequenos pormenores amplamente compensadores para o espectador. Desde as cenas representativas das conversas telefónicas, que ocorrem sem a presença física dos intervenientes, mas sim com a representação dos cabos telefónicos, que foram revestidos por Frank (era esse o seu trabalho antes da reforma), até ao facto de Frank conseguir pelas suas memórias, visualizar os filhos na transição de crianças para os adultos que são hoje em dia, vê-se um cuidado em conseguir interligar competentemente pessoas e situações. Porque é desses pormenores que se faz a diferença entre um bom e um mau filme. E a recta final, é também prova disso mesmo. Simplesmente excelente e imperdoável não assistirem!!

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Sexta-feira, 19 de Março de 2010

Sexta a 3 - Edge of Darkness (2010)

 

 

Remake homónimo da série televisiva dos anos 80, “Edge of Darkness” traz-nos Mel Gibson, depois de 7 anos longe das performances enquanto actor, no papel de Thomas Craven, um solitário detective da polícia de Boston que vive exclusivamente para a filha, Emma (Bojama Novakovic). Porém, a sua vida está prestes a mudar... Uma noite, quando Thomas e Emma se preparavam para sair de casa, esta é assassinada a sangue frio.

 

Thomas dará então início a uma investigação por conta própria, partindo do princípio que o alvo naquela noite fatídica era ele e não a filha. Mas... e se Emma fosse realmente o alvo a abater? Por entre esquemas e conspirações conseguirá o detective o desfecho que o conseguirá deixar em paz consigo próprio, vingando a morte da filha?

 

Diogo: Um falhanço total este regresso de Mel Gibson às salas de cinema, que se vê suportado (ou abandonado) num argumento algo desligado e com um final pavoroso para o que este se revelava ser até então. Fraco e inconsequente.

 

Nota Final: 3.5 / 10

 

Hugo: É este o grande filme que equiparavam a Taken? Só me apetece dizer "Ganhem juízo!". Edge of Darkness é um filme ridiculamente mal realizado, com poucas cenas de acção e, praticamente, sem um fio condutor da história. Mel Gibson poderia ter sido a salvação do filme, mas vê-se engolido por uma série de desastres de realização. Gostaria de dizer mais sobre a fita, mas faltam-me palavras para tentar assinalar algo de bom. Dá-me pena ver o realizador de Casino Royale cair em desgraça, mas a verdade é que os espectadores mereciam bem melhor.

 

Nota Final: 5 / 10

 

Mafalda: O que dizer de um filme que prometia, mas só consegue desiludir cena após cena? A história como a contei hoje durante um almoço de colegas até faria antever algo de bom, mas no formato cinematográfico não passa da mera banalidade e, por vezes, mau gosto. É incrível verificar como o realizador Martin Campbell (também ele responsável pela série em que o filme se baseia) nos consegue surpreender com o excelente “Casino Royale”, e depois se perde por completo neste "Fora de Controlo" que nada mais foi que perda tempo. Óptimo para adormecer (não conseguem imaginar a dificuldade que tive em me concentrar para ver a fita até ao fim!), vale únicamente pela ideia (já que a execução, essa, falha em todos os pontos, desde planos de acção, até guião e interpretações, já para não falar de alguns exageros de acção perfeitamente dispensáveis). Decepcionante.

 

Nota Final: 4 / 10

 

 

 


Segunda-feira, 15 de Março de 2010

17 Again (2009)

 

 

1989. Mike O'Donnell (Zac Effron) era a estrela da equipa de basket do liceu. Prestes a entrar na universidade, este é o jogo da sua vida. Um olheiro observa-o das bancadas... mas algo acontece. A namorada de Mike abandona o campo perante o olhar incrédulo do jovem, que acaba simplesmente por correr atrás dela, tomando uma decisão que influenciou toda a sua vida.

 

2009. Insatisfação. É a palavra chave na actual vida de Mike (Matthew Perry). Pai de 2 filhos, Alex (Sterling Knight) e Maggie (Michelle Trachtenberg), com quem não se relaciona da melhor maneira, sem reconhecimento no trabalho e com o casamento por um fio, resta-lhe visitar o único lugar onde se sentiu realmente realizado: o seu antigo liceu. Lá, Mike conhece um estranho homem que o questiona sobre a sua vida, se ele gostaria de voltar atrás e fazer tudo de novo. E é mesmo isso que acaba por acontecer, porque ao acordar, no dia seguinte, Mike já não é um homem em crise de meia idade, mas sim um jovem de 17 anos... outra vez!

 

Cabe-lhe agora, por entre inúmeras peripécias, ajudar os filhos adolescentes e ainda reconquistar a mulher. Resta saber como irá ele fazê-lo...

 

Confesso que nunca fui grande fã de Zac Efron, havendo mesmo alturas em que o achei bastante irritante (muito por culpa de “High School Musical”, é verdade). Mas nesta comédia com uma boa dose de diversão, acabei por simpatizar com ele. Esteve competente no seu papel, e manteve uma boa dinâmica com todo o elenco. Parece-me que lhe vou dar o benefício da dúvida...

 

O conjunto de elementos técnicos não é de exultar, dadas as características do filme, mas sim o seu guião, que embora não traga nada de novo (esta temática foi já mais que retratada na sétima arte), consegue vencer como um bom produto dentro do género.

 

De notar ainda que, embora “17 Anos, Outra Vez!” ceda a clichês característicos de filmes passados em liceus, nomeadamente nos personagens (o desportista bronco, o bom rapaz vítima de bullying, as meninas da claque, entre outros), consegue compensar essas “mesmices” com tiradas inteligentes e referências a mundos tão diversos como Star Trek, Senhor dos Aneís e Star Wars, graças a Ned Gold, o melhor amigo de Mike desde os tempos de liceu (interpretado por Thomas Lennon).

 

Burr Steers, responsável pelo também ele bastante agradável “How To Lose a Guy in 10 Days”, concede-nos assim uma das mais simpáticas comédias do ano passado e à qual não se arrependerão, certamente, de assistir.

 

Come on, man! Don't you ever wanna go back and do high school again?”

 

Nota Final: 7 / 10


 

 


Por Mafalda às 19:02
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Sábado, 13 de Março de 2010

Sexta a 3- The Lovely Bones (2009)

 

 

Estamos em Dezembro de 1973. Susie Salmon, uma menina de 14 anos que vivia no auge da curiosidade natural da sua idade, é assassinada pelo seu vizinho de uma forma meticulosa e brutal. Atraída por este quando regressava da escola para um anexo subterrâneo situado num milheiral, a vida da família deste ‘pequeno peixe’ não voltou mais a ser a mesma.

 

O choque natural de tão devastadora situação vai ao longo do tempo transforma-se numa obsessão, principalmente para o seu pai que busca vingança e justiça. Este vai então conduzir algumas investigações privadas na tentativa de descobrir tão cruel homem que terá sido capaz de fazer mal à sua querida filha.

 

A verdade é que a vida acabou cedo de mais para Susie, que agora se encontra num limbo celestial a observar e narrar todos os desenvolvimentos do filme. Com tanto que ainda ficou para fazer, será que esta vai conseguir seguir em frente?

 

 

Diogo: O poder dos sonhos de uma adolescente, desfeitos abruptamente e de forma ‘violenta’, testados aqui neste filme de Peter Jackson. ‘Visto do Céu’ apresenta no seu argumento algumas características que poderiam fazer deste um filme inquietante ou até mesmo chocante… Mas a verdade é que este acaba por ser um filme bonito, na essência da sua palavra. Visualmente, as atmosferas imaginárias de um mundo entre terra e o paraíso, revelam-se fulcrais na mensagem do filme. Para este conteúdo também contribui de forma decisiva o pensamento singular da jovem Susie Salmon, interpretada por Saoirse Ronan. De forma igualmente decisiva, encontramos o nomeado ao Óscar de Melhor Actor Secundário Stanley Tucci por este mesmo filme. Na pele de um assassino, consegue quebrar a monotonia de algumas sequências de cenas e intrigar o espectador, naquele que é então sem dúvida mais um ponto de interesse deste ‘The Lovely Bones’.

 

Nota final: 8/10

 

 

Hugo: Peter Jackson traz-nos The Lovely Bones, um filme que em termos de qualidade está uns furos abaixo em relação ao que nos tem habituado. Embora tenha um argumento convincente, o desenrolar da história é algo inconstante o que faz com alguns momentos sejam demasiado depressivos e de repente a acção passa-se demasiado depressa. Uma nota positiva para as cenas espectaculares que o CGI empregado em grande parte do filme nos proporciona. Tal como o enredo do filme, o elenco também tem altos e baixos: Mark Wahlberg tem uma performance mediana e Rachel Weisz é praticamente uma nulidade, enquanto que Saoirse Ronan tem um desempenho fantástico para a sua idade e Stanley Tucci tem uma nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário totalmente merecida. The Lovely Bones acaba por ser uma decepção pois graças a incoerências na realização não consegue captar toda a atenção do espectador.

 

Nota Final: 6,5 / 10

 

 

Mafalda: "Visto do Ceú" apresenta-se com uma temática complicada de captar em essência, mas que acabou por abordar competentemente valendo-se de belíssimos planos CGI (as representações do limbo celestial são soberbas). Porém, há algo que salta à vista do espectador: a disparidade qualitativa de algumas interpretações. Se por um lado temos um desinspirado Mark Wahlberg, por outro temos o merecidamente nomeado ao Óscar, Stanley Tucci, o inquietante assassino de Susie. Uma prestação imperdível. Apelativas revelaram-se também algumas das sequências entre o real e o celestial, na casa da jovem, em que há como que uma sobreposição de planos muito bem conseguida. De mencionar ainda a tensão crescente, e muito bem vinda diga-se, para um final que achei... ridículo. Não pelo final em si, que achei adequado à história, mas pela maneira como foi filmado e apresentado ao público. Houve um claro exagero. Assim, com uma ou outra incoerência e transições de cena algo pobres (passar de um momento dramático para outro de comédia de maneira tão repentina pode cair mal a alguns espectadors), "The Lovely Bones" acaba por ser uma proposta interessante, muito pela mensagem que transmite.

 

Nota Final: 7 / 10

 

 


Por Diogo às 00:56
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Quarta-feira, 10 de Março de 2010

Corrupção (2007)

 


 

Ridículo. Sofrivél. Inclassificável.

 

Chega? Não... Acho justo dar pelo menos alguns fundamentos para palavras tão “duras” para com um dos mais mediatizados filmes portugueses dos últimos anos. Porque é só disso mesmo que se trata, mediatismo. Porque qualidade, essa... ficou guardada bem longe desta “película”.

 

Senão vejamos. A história certamente a reconhecerão dos jornais, telejornais e revistas, mais ou menos sensacionalistas, que tanto apreciam um bom escândalo. Futebol, árbitros comprados, acompanhantes de luxo, dinheiro, poder... Não será portanto de admirar que “Corrupção” se baseie no livro que foi sucesso de vendas em Portugal (mais uma calamidade, a meu ver), “Eu, Carolina”, em que a ex-companheira de Pinto da Costa, o presidente do F.C. Porto, apresenta a sua versão dos factos (muitos deles dos bastidores da história) sobre o caso “Apito Dourado”, que tanta tinta fez correr na imprensa.

 

Sofia (Margarida Vila-Nova), é a representação cinematográfica de Carolina. Uma jovem mãe solteira, que trabalha numa casa nocturna como acompanhante. É nessa casa que Sofia trava conhecimento com o presidente de um importante clube de futebol, com quem acaba por se envolver. Foram meses de sossego para a acompanhante e os seus dois filhos, até ao dia em que as transações começaram a descontrolar-se e as fugas de informação tomaram lugar, levantando problemas conjugais e judiciais na vida do Presidente. Familiar não?

 

Falemos agora dos aspectos técnicos. Os diálogos estão muito mal conseguidos, carregados de clichés e completamente falsos. O guião mostra-se despropositado durante toda a extensão da fita e as interpretações likewise. Os fade outs apropriados para videoclips são usados até á exaustão, facilitando quebras atrás de quebras na narrativa que é, já de si, bastante pobre. As próprias transições de cena estão péssimamente executadas e deviam fazer corar de vergonha quem as produziu.

 

Corrupção” só não tem a nota 0 porque é de louvar a “tentativa” de fazer um filme dentro deste género em Portugal. Pena que não tenha (de todo!) resultado. E sim, opiniões são subjectivas, mas há condições mínimas a serem reunidas para pelo menos se tentar fazer bom cinema. Aqui, não se verifica nada disso. Um conjunto sem nexo de situações completamente dispensável, e um péssimo exemplo de cinema português. Vergonhoso.

 

Nota Final: 1 / 10


 

 


Por Mafalda às 23:50
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Domingo, 7 de Março de 2010

An Education (2009)

 

 

A BBC Films apresenta um dos 10 nomeados ao Óscar de Melhor Filme na cerimónia deste ano: “An Education”. A sua história resume-se no seguinte...

 

Jenny (Carey Mulligan) é uma jovem estudiosa e empenhada, quase a terminar o liceu, e cujo maior sonho (ou será o sonho dos pais?) é entrar na Universidade de Oxford. Um dia, a jovem trava coonhecimento com David (Peter Sarsgaard), um homem mais velho e bem parecido. Apaixonam-se, mas a verdade sobre a identidade David, que proporciona a Jenny um mundo pautado por concertos, exposições e requintados restaurantes, está um pouco mais longe do que seria de supor...

 

Antes de me alongar mais, devo dizer que apreciei bastante os créditos iniciais. Penso que já o disse uma vez, aquando da crítica a “Rock N' Rolla”, mas nunca é demais frisar certos pontos. É em pequenos pormenores, como nos créditos iniciais, que não são certamente um grande foco de interesse para a maioria da audiência, que se pode mostrar um amor pela arte de fazer cinema, e não um simples “vamos fazer mais um filme”. Deve existir sempre um cuidado especial na abordagem de todas as fases de uma fita, e isso é sempre agradável e reconfortante de verificar. E aqui, seguramente que a realizadora Lone Scherfig não deixou créditos por mãos alheias.

 

Um fiel retrato dos anos 60, com uma banda sonora, fotografia e cenários apelativos e em conformidade com as performances do actores. Devo porém realçar Alfred Molina, numa personagem que tanto tem de divertida, como de sensível, marcando alguns segmentos da acção, Dominic Cooper que me fez esquecer totalmente o desaire da sua prestação no musical “Mamma Mia!”, e claro, como não podia deixar de ser, a protagonista Carey Mulligan, que viu inclusivé o seu esforço recompensado pela nomeação ao Óscar de Melhor Actriz (tendo já arrecadado o BAFTA).

 

Outro ponto a favor é a sensibilidade com que é permitido deixarmo-nos envolver pelo mundo que fascina Jenny. As artes, desde a pintura, até à música, passando pela deliciosa e requintada comida... É apaixonante e diria até mesmo, inebriante, a maneira como se nos apresentam essas vidas cosmopolitas dos protagonistas, e dos seus 2 amigos Danny (Dominic Cooper, num papel que esteve destinado a Orlando Bloom) e Helen (Rosamund Pike). Brilhantemente captado.

 

E claro, não posso deixar de mencionar as questões que se levantam durante o filme. Até que ponto é importante para um indivíduo fomentar a sua educação, a sua escolaridade? Terá de abdicar dela para usufruir de prazeres como viagens, por exemplo? Ou será para ele mais compensador valer-se dos seus conhecimentos para analisar melhor aquilo de que disporá no futuro? Para Jenny, tudo isto se lhe apresenta com uma complexidade acrescida. Numa época em que as mulheres com estudos estavam quase que “condenadas” a serem ou professoras ou secretárias, ou muito simplesmente, donas de casa, o que passará na cabeça de uma jovem vanguardista, com sede de descoberta e uma paixão imensa por um mundo em que as artes têm papel predominante? Conseguirá ela acesso a tudo o que David lhe proporcionou se continuar os seus estudos? Aprederá mais na “escola da vida” do que na Universidade de Oxford? São estas as principais questões que o espectador colocará a si próprio ao longo da fita e que serão um dos mais importantes focos da mesma.

 

Cinema clássico no seu máximo esplendor. Assim será a mais justa forma de classificar “Uma Outra Educação”. Competente, interessante, cativante e imperdível, é quase certo que não arrebatará a estatueta dourada, mas a distinção para tal é indubitávelmente merecida.

 

If you never do anything, you never become anyone.”

 

Nota Final: 8.5 / 10

 

 

 


Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Stick It (2006)

 

 

Missy Peregrym interpreta Haley Graham, uma jovem rebelde de 17 anos que vive metida em sarilhos. Depois de invadir, juntamente com os amigos, uma casa em construção, onde praticava acrobacias em bicicleta, Haley é apanhada pela polícia. Em tribunal, a juíza dá-lhe a oportunidade de escolher entre ingressar na Academia Militar, ou na VGA, Vickerman Gymnastics Academy, uma escola de ginástica.

 

Hayley escolhe a primeira... mas acaba por ir parar à segunda. O que o espectador não sabe, é que a jovem foi já ginasta de alta competição, mas uma descoberta passada tirou-lhe a coragem de seguir em frente e ganhar o Ouro nos Mundiais. Conseguirá agora, com a ajuda do treinador Burt Vickerman (Jeff Bridges) e das suas colegas de equipa, superar esse segredo e reconquistar o respeito de todos?

 

Muitos desportos foram já retratados no mundo da sétima arte, pelo que era mais que justa uma adaptação cinematográfica de um dos mais rigorosos e dificeís de executar, a ginástica acrobática. E facto, é que essa adaptação está bastante bem conseguida a nível técnico, apresentando bons planos dos exercícios desenvolvidos. Mas a nível do guião, a história é outra...

 

A recta inicial do filme promete mais do que aquilo que chega realmente oferecer, e esse facto deve-se essencialmente aos clichés que vão ocorrendo no desenrolar da acção. Já para não falar de um par de interpretações mal conseguidas que quase comprometem o trabalho da mesma realizadora de “Bring It On”, Jessica Bendinger, em alguns momentos. Mas adiante...

 

As maiores mais valias de “Revolta-te!” serão mesmo a prestação de Peregrym, plena de carisma e ideal para o papel, e ainda a abordagem light, é certo, mas também interessante a um mundo muitas vezes regido por regras “mesquinhas” (a revolta das atletas perante a atribuição de pontos por parte dos juízes foi um bom pormenor e fez a diferença no filme). A fotografia, que poderia sair prejudicada pelo tema em questão, vê suceder-lhe o oposto, apresentando-se competentemente, assim como a banda sonora agradável, adequada ao público alvo e que inclui nomes como Fall Out Boy, Missy Elliot e Blink 182.

 

Desta forma, e embora não se livre do estigma de teen movie, “Stick It” vale pela iniciativa e, acima de tudo, por conseguir cumprir plenamente o intuito de entreter o espectador.

 

Gymnastics tells you no. All day long. It mocks you over and over again. Telling you you're an idiot. That you're crazy.”

 

Nota Final: 6.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 19:37
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Sexta a 3 - The Messenger (2009)

 

 

Will Montgomery (Ben Foster) é um sargento do exército norte-americano a 3 meses de terminar o seu período de alistamento. Herói de guerra, tem ainda uma derradeira missão... O jovem sargento deve integrar, sob a alçada do capitão Tony Stone (Woody Harrelson), uma unidade cuja função consiste em notificar os familiares dos soldados mortos na guerra no Iraque.

 

Sob uma série de comportamentos previamente estipulados (os soldados que notificam a morte de outro soldado não devem, por exemplo, promover qualquer contacto físico com os familiares a quem é dada a triste notícia), este seria certamente o último trabalho que Will se veria a desempenhar, mas a amizade que se desenvolve entre ele e o capitão, bem como as intensas situações a que esta nova posição o sujeita, vão mudar a sua maneira de encarar as pessoas, e as batalhas travadas à porta daqueles que perderam o que tinham de mais importante na sua vida: um ente querido.

 

Oren Moverman é assim o responsável por esta história que se encontra nomeada nas categorias de Melhor Actor Secundário, para Woody Harrelson (que também contou com uma nomeação para os Golden Globe deste ano na mesma categoria), e Melhor Argumento Original, nos Óscares 2010.

 

 

Diogo: Seguindo uma linha bastante linear, a mensagem que este ‘Mensageiro’ nos trás fica quiçá pelo intuito, não chegando a ser ‘entregue’. Não se trata de um filme apaixonante ou de emoções fortes. A sequência de cenas, apesar das excelentes interpretações, acabam por ser monótonas e envoltas em máscaras (demasiado grandes, talvez) que têm como objectivo ocultar os problemas obscuros das duas personagens principais. Estas acabam então por ser a muleta um do outro, num filme onde a sua finalidade, o seu propósito, acaba por estar muito bem disfarçado…

 

Nota Final: 6/10

 

 

HugoThe Messenger não é decerto um filme para todo o tipo de público. O estreante Oren Moverman dirige um guião que está longe de ser perfeito, mas graças às excelentes interpretações de Ben Foster e Woody Harrelson os altos e baixos que assistimos na qualidade da história acabam por ser quase insignificantes. Em relação aos aspectos técnicos também assistimos a algumas imperfeições principalmente na filmagem de algumas das cenas. A verdade é que The Messenger me fascinou pois aborda um assunto que por vezes não vemos ou apenas somos demasiado egoístas para o ver.

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

Mafalda: “O Mensageiro” não é, de todo, um filme fácil. O seu nível de expressividade técnica é competente, mas o que mais se destaca na fita é a qualidade interpretativa, e o tema pouco explorado dentro deste género. As abordagens dos personagens estão credíveis e os diálogos irrepreensiveis, embora seja notória uma clara monotonia no desenrolar da acção. Monotonia essa que se faz sentir mais a partir do momento em que é introduzida a personagen de Samantha Morton. Não por culpa da actriz, mas sim do guião, que me desapontou um pouco na sua algo forçada recta final. Ainda assim, "The Messenger" vale pela iniciativa e sobriedade com que segue uma perspectiva diferente daquela a que estamos habituados em filmes de guerra. Humano, realista e interessante.

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 21:24
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Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

Proof (2005)

 

 

Há 5 anos que Catherine (Gwyneth Paltrow) se vê sozinha a cuidar do pai, Robert (Anthony Hopkins), um conhecido matemático cuja genialidade se viu afectada por uma súbita instabilidade emocional que o leva, inclusivamente, a abandonar os seus trabalhos.

 

E se até ao momento a vida de Catherine não foi fácil, agora, com a morte do progenitor, dias complicados se avizinham, e a jovem terá de lidar com a sua própria instabilidade, com os sentimentos que está a desenvolver por Hal (Jake Gyllenhaal), um antigo aluno do pai, e ainda com preocupação, e diferentes ideais, da irmã mais velha, Claire (Hope Davis).

 

Esta é a história de “Proof”, realizado por John Madden, o responsável pelo oscarizado “Shakespeare in Love”, e que, embora não seja um filme surpreendente nem inovador, prima pela consistência da história e fortes personagens. O facto de se basear numa peça vencedora do Pulitzer (e também ela estrelada por Gwyneth Paltrow) abrilhanta substancialmente os diálogos, numa fita que pode ser bastanta “claustrofóbica” no que à acção diz respeito (a maioria das cenas ocorrem na casa em que Catherine viveu com o pai).

 

Em termos técnicos, a fita é competente, apresentando uma fotografia apelativa e bons segmentos da narrativa. Contudo, o espectador deve ficar desde já avisado de que, na recta final do filme, deverá visualizar o mesmo com redobrada atenção, pois a mistura da acção corrente com os flashbacks da protagonista não estão inteiramente bem identificados ou explicítos. Ainda que o interesse que desperta seja suficiente para prender a atenção.

 

Entre o Génio e a Loucura” conta ainda com excelentes desempenhos por parte de Paltrow e Hopkins, e ainda com um carismático Gyllenhaal, que prova uma vez mais porque é das melhores apostas dentro da recente vaga de actores. De mencionar ainda o interesse e curiosidade que o filme pode conseguir despertar pela matemática, tal a tenacidade com que é abordada.

 

Assim, se pretende assistir a uma película simples mas que dá cartas nos diálogos, então este “Proof” poderá ser uma boa opção.

 

It was like... connecting the dots.”

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 16:47
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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

The Young Victoria (2009)

 

 

Mas que bela (e apropriada!) surpresa para o dia em questão!

 

Será talvez esta a melhor maneira de começar a crítica ao mais recente trabalho de Jean-Marc Vallée, “A Jovem Victória”. Nomeada para os Óscares 2010 na categoria de Melhor Direcção Artística, Melhor Guarda Roupa e Melhor Caracterização, e contando ainda com nomeações para os BAFTA, em categorias semelhantes, eis uma película que, embora não fuja muito ao que se espera num filme deste género, consegue inovar e ser bastante agradável de se ver.

 

O filme relata-nos a históra da Rainha Victoria de Inglaterra (Emily Blunt), desde os seus anos de juventude, passando pelo grande amor que viveu com aquele que seria o seu esposo, o Príncipe Albert (Rupert Friend), e ainda mostrando, não só a soberana, como, e principalmente, a mulher responsável pelo reinado mais longo da história do Reino Unido até à data.

 

Com o desenvolvimento da acção a dar-se num ritmo forte e ágil, “The Young Victoria” mostra-se interessante, eloquente e bastante fiel a factos históricos. Os únicos elementos ficcionados (apenas 2) são referentes à relação de Albert e Victoria. O primeiro consiste na permanência do príncipe na corte da rainha britânica durante um mês. Tal não se verificou, tendo o seu amor crescido sob a forma de correspondência que trocavam entre si. O outro objecto fictício foi o atentado. Ele existiu sim, mas Albert não foi ferido (embora na vida real, o príncipe tenha de facto tentado proteger a Rainha, pondo a sua própria vida em risco, e mostrando claramente, o sacrifício que estaria disposto a fazer pela mulher que amava). Porém, são “mudanças” na história que se justificam, conferindo uma carga dramática necessária à fita.

 

Embora mantenha ainda um tom bastante contido em alguns aspectos (característico dos filmes de época), é permitida ao espectador uma fácil abordagem não só ao espectro romântico da fita (com a química perfeita entre Blunt e Friend, sem exageros ou melodramas baratos), como também ao conteúdo político e dificuldades sentidas pelo governo britânico naquela época.

 

As excelentes interpretações (especialmente de Emily Blunt, que conseguiu mesmo a nomeação para Melhor Actriz Dramática nos Golden Globes deste ano), bem como a simplificação (mas não banalização, entenda-se) dos diálogos, abonam ainda a favor de uma maior envolvência por parte do espectador para com a história que é contada.

 

Não será portanto demais afirmar que, embora nos encontremos perante um típico filme de época britânico, estamos também perante uma aposta segura e que certamente não faltará na minha colecção.

 

You're too young! You've no experience. You're like a china doll, walking over a precipice...”

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 16:50
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

Up (2009)

 

 

Nesta nova aventura épica da Pixar Animation Studios a história começa por nos dar a conhecer a vida de Carl Fredricksen, que se casa com Ellie e ganha a vida a vender balões. Após a morte de Ellie, Carl fica sozinho na vida e sem saber o que fazer, decide realizar o sonho da sua vida e parte para a América do Sul na sua casa com milhares de balões a fazê-la voar. Mas cedo se apercebe que não está sozinho na aventura: Russel é um explorador da natureza e durante a viagem faz a cabeça em água a Carl. 
 
Se em 2008 a Pixar nos conseguiu surpreender com Wall-e, em 2009 transcende-se ao trazer-nos mais um bom filme de animação. Escrito e dirigido por Pete Docter e Bob Peterson, Up é um filme para ser assistido pelos pequenos e graúdos. A Disney conseguiu introduzir no filme excelentes momentos de comédia, mas as cenas dramáticas são os pontos altos deste filme que consegue fazer relembrar os antigos sucessos da companhia. 
 
Em termos técnicos dou graças a Deus por ter visto a versão em 2D. Não duvido que a versão em 3D possa ser bastante boa e realce as excelentes paisagens do filme, mas a verdade é que continuo (e vou continuar) céptico a filmes em 3D pois acho completamente desnecessário e acho que as cores (sim as cores) ficam demasiado baças e sem brilho. Gostava que as companhias acabassem com os esforços de tentar introduzir à força o 3D no mundo do cinema e que se concentrassem em tarefas bem mais importantes. 
 
As personagens são sem dúvida o ponto forte em Up. Carl e Russel são duas personagens épicas e juntas produzem cenas de comédia e drama brilhantes. E claro não nos podemos esquecer de Dug que é  um Golden Retriever com uma coleira especial que lhe permite falar tal como se de um humano se tratasse (quem é que não soltou uma gargalhada quando Dug de repente diz "Esquilo!").
 
Uma pequena nota para as vozes portuguesas que embora não sejam muito conhecidas, fazem um excelente trabalho neste filme.
 
Surpreendentemente (ou não) Up foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme e de Longa-Metragem de Animação (entre outras categorias). Com certeza o Óscar de Melhor Filme não ganhará (contudo ser nomeado já é uma grande vitória), mas afirmo com convicção que é o maior e melhor candidato a ser o melhor filme de animação do ano de 2009.
 
"My master made me this collar. He is a good and smart master and he made me this collar so that I may speak. Squirrel!" 
 
Nota Final: 9 / 10
 
 

 


Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010

Sexta a 3 - Precious: Based on the Novel Push by Sapphire (2009)

 
Clareece Jones, ou simplesmente Precious, é um daqueles casos de vida (agora ficcionado) que persiste em existir no Mundo actual em que vivemos. Interpretada por Gabourey Sidibe, uma das nomeadas para o Óscar de Melhor Actriz, esta ‘vive’ a sua vida num completo inferno (tanto a nível psicológico, como a nível físico). Com apenas 16 anos de idade, Precious encontra-se grávida pela segunda vez, tendo sido vítima recorrente de abusos sexuais por parte do seu progenitor. Analfabeta , foi desde sempre levada a crer que nunca conseguiria aprender algo, e que a escola era somente uma forma de garantir algum rendimento à sua mãe, que a maltratava dia após dia.
 
A contrastar com esta terrível realidade, a jovem negra e obesa refugia-se no seu sonho de ser famosa e casar com um homem branco. Além disso, e principalmente, esta frequenta a turma de Miss Rain, uma professora que ensina o bê-a-bá da leitura e escrita, e que dará finalmente a conhecer o significado da palavra amor e amizade a Precious.
 
 
Diogo: Indiferença! Indiferença é o sentimento com o qual qualquer espectador (até os menos impressionáveis como eu) não pode ficar ao ver este filme. Este facto resulta essencialmente das excelentes interpretações do elenco em geral e das duas nomeadas aos Óscares em particular. A forma pura e dura de como a história é contada e filmada, representa fielmente todos os sentimentos e acções que o realizador (também ele nomeado) pretende imprimir: apatia, inveja, ignorâcia, crueldade, descriminação, violência…
 
Nota Final: 8.5/10
 
 
Hugo: Precious é um filme que reproduz uma realidade de forma nua e crua que todos nós tentamos fazer de conta que não existe: a violência que muitas crianças sofrem por esse mundo fora. Lee Daniels tenta reproduzir de forma literal o que se sente ao ler o livro Push by Sapphire e embora não se possa criticar as intenções do inexperiente realizador, a verdade é que existem alguns exageros na forma como a história se desenrola. Em relação aos aspectos técnicos, o ambiente em Precious é muito bom e em algumas cenas parece que estamos a levar um murro no estômago, mas acaba por ser um pouco prejudicado na forma como este é filmado. Gabourey Sidibe, Mo'Nique e Paula Patton têm desempenhos excelentes e passam para o espectador um realismo ímpar. Mariah Carey e Lenny Kravitz têm um agradável participação e abrilhantam ainda mais o filme. De uma forma geral Precious merece ser nomeado para os Óscares deste ano pois no campo dramático, 2009 foi algo atípico quando comparado com o ano anterior, mas sinceramente acho que Star Trek merecia bem mais estar entre os 10 nomeados.
 
Nota Final: 7/10
 
 
Mafalda: “Precious” é um filme indie bastante simples a nível técnico, mas que apresenta um argumento realista e impressionante. Sem se deixar cair no melodrama fácil, é uma adaptação cinematográfica que se consegue evidenciar pelas suas interpretações, que revelam uma total entrega por parte de todos os actores. De referir ainda um dos pontos mais altos da fita (a cargo de Mo'Nique, Gabourey Sidibe e uma curiosamente competente Mariah Carey) que é o frente-a-frente de mãe e filha, questionadas sobre os abusos sexuais a que a jovem de 16 anos foi submetida por parte do pai. Resta agora esperar a avaliação da Academia perante esta  lição de vida a que não devem deixar de assistir, e que se apresenta com 6 merecidas nomeações aos Óscares, incluindo Melhor Filme.
 
Nota Final: 8 / 10
 

 


Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

Spread (2009)

 

 

Nikki (Ashton Kutcher) vive a vida aproveitando-se de mulheres mais velhas com baixa auto-estima. Dentro deste padrão, conhece a advogada Samantha (Anne Heche). Nikki vive tempos felizes até conhecer uma bela criada chamada Heather (Margarita Levieva) que, sem ele saber, leva exactamente a mesma vida que ele. Vida essa que se começa a desmorenar quando o jovem se paercebe dos seus sentimentos por Heather.
 
Spread pode ser definido de várias formas: uma drama sobre a vida de Nikki, uma comédia romântica (mas só na segunda parte do filme) e como filme erótico. A verdade é que tenta ser tudo e acaba por não ser nada (be... talvez as diversas sequências de sexo o classifiquem pelo menos como filme erótico). A jovem dupla David Mackenzie e Jason Dean Hall conseguem fazer um filme que apesar de prender a atenção, está cheio de clichés e tem uma história com pouca profundidade e com um final no mínimo estranho (moving on?).
 
O elenco apesar de ter caras bonitas não consegue chegar ao nível que se esperava. Ashton Kutcher é uma estrela em ascensão mas não se pode dar ao luxo de ter performances medianas se quer ficar na história de Hollywood. A bela Anne Heche é mal aproveitada na história e falando sobre o marketing do filme, é incompreensível que esta apareça, assim como Ashton, nos posters do filme e Margarita Levieva simplesmente seja esquecida neste campo. 
 
Para concluir, Spread é um filme que pretende ser muita coisa num curto espaço de tempo e que apenas interessa aos mais jovens. Por essa razão, não consegue atingir um público mais interessante e certamente será rápidamente esquecido.
 
Nota Final: 6 / 10

 

 


Por Hugo às 20:32
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Domingo, 7 de Fevereiro de 2010

New Moon (2009)

 

 

Segundo capítulo da saga que tem arrastado multidões ao cinema, este “New Moon” apresenta-se como uma sequela bastante mais fraca que o seu antecessor. Mas primeiro, a sinopse...

 

Bella (Kristen Stewart) prepara-se para celebrar o seu 18º aniversário, e a sua única dúvida existencial reside... na idade. Namorar com um vampiro deve ser a situação mais banal na vida da jovem que, neste momento, só se preocupa com rugas futuras que poderão esfriar a sua relação com Edward (Robert Pattinson). Um drama preocupante, de facto...

 

Na casa dos Cullen, ao desembrulhar um dos presentes, Bella corta-se, e o sangue desperta um instinto ainda difícil de controlar por parte de Jasper (Jackson Rathbone), namorado de Alice (Ashley Greene). É então que Edward decide que o melhor a fazer será mesmo afastar-se, deixando a jovem num profundo desgosto, que só a presença de Jacob (Taylor Lautner) poderá atenuar. Pelo menos até ele próprio se começar a afastar devido a um segredo que teima em não revelar...

 

Numa película em que o total protagonismo vai para Kristen Stewart (em detrimento de todas as outras personagens que aqui atingem um exagerado 2º plano), eis o enredo que Chris Weitz (realizador responsável pela adaptação cinematográfica de “The Golden Compass” de Philip Pullman) nos tenta passar em 2 horas de filme. Perpetuando acções que se desenrolam de forma excessivamente rápida, com veia quase de music video em que transições de segundos pautam o desenrolar da fita, “Lua Nova” peca principalmente por isso.

 

O querer mostrar muito em pouco tempo raramente dá bom resultado, e este segundo capítulo de “Twilight” não é excepção. Contudo, apresenta um ligeiro atenuante com as sequências de acção e a apresentação de novas personagens que, embora com um bastante limitado tempo de acção, conseguem deixar boa imagem, nomeadamente Dakota Fanning e Michael Sheen na recta final da fita, que à semelhança de tudo o resto, prometia mais do que chega realmente a oferecer. Um ou outro bom apontamento (a nível de fotografia por exemplo) and that's it.

 

I promise never to put you through anything like this ever again.”

 

Promessa que se cumpriria caso a estreia de "Eclipse", o 3º capítulo, não estivesse já agendada para o final do mês de Junho. Aguardarei com a expectativa de ver um melhor produto.

 

Nota Final: 6 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 22:15
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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Stereo (2009)

 

 

Death Cab For Cutie. “A Movie Script Ending”. Foi este o videoclip que inspirou Toms Grēviņš a desenvolver uma tocante curta metragem de 8 minutos de duração.

 

É facto que estamos perante uma cópia quase exacta do vídeo referido, porém, Toms consegue alguns apontamentos que justificam a menção deste seu trabalho. Mas atentemos primeiro à sinopse da fita.

 

Lolita Sniega e Elina Eglite dão vida a um casal adolescente que se depara com um cenário de afastamento. A partida de alguém que amamos, a tomada de consciência de que, embora o retorno seja provável, uma série de bons momentos vai cessar, o medo de não os recuperar... Tudo isto é captado brilhantemente, distinguindo-se do vídeo musical pela sua maior carga dramática, química entre as actrizes e pelo dinamismo criado.

 

As palavras são inexistentes, pelo que o desenrolar da acção vive inteiramente da montagem fotográfica e da expressividade e veracidade das actuações. Toms consegue pois uma harmoniosa junção das partes, primando pelo bom gosto e competente recurso de técnicas de luz, cor, e até mesmo sonoras, com uma simples música de fundo que deixa, em situações pontuais, passar alguns sons do momento presente, como o som característico da praia, por exemplo, a acompanhar este projecto com selo Utopia.

 

Os bons pormenores no aproveitamento dos cenários, bem como a conjugação de diversos planos de acção são ainda outras das competências a ter em conta.

 

Funcionando quase como um hino à arte de fotografar, “Stereo” só não lhe vê atribuida uma nota superior devido essencialmente às elevadas semelhanças com o original em que se baseou.

 

A ver em http://www.youtube.com/watch?v=xAOfodDWAaE.

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 17:17
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Children of Men (2006)

 


 

Londres, 16 de Novembro de 2027. A taxa de infertilidade atinge os 90% e a pessoa mais jovem do mundo (com apenas 18 anos de idade), foi assassinada.

 

Um início arrasador. Contido, seco, frio, povoado por um sentimento de perda generalizado. Quase comparável à morte de uma celebridade mas, neste caso, bem mais que isso. É uma tomada de consciência do envelhecimento de uma sociedade à beira da extinção.

 

Violentas lutas e um profundo estado de anarquia ditam as leis da rua. Uma rua onde um solitário burocrata revoltado, Theo (Clive Owen), se vê involuntariamente submerso numa missão capaz de impedir a extinção do Homem. A missão de garantir a sobrevivência da última mulher grávida, Kee (Clare-Hope Ashitey).

 

O realizador mexicano Alfonso Cuarón, responsável pelo 3º capítulo da saga cinematográfica de Harry Potter, recria a atmosfera de “Os Filhos do Homem” como um painel “cinzento”, desprovido de qual magnificência ou fulgor. É amarga, assustadoramente próxima de algumas realidades que já hoje começamos a experiênciar.

 

Um guião bem estruturado se apresenta perante o olhar do espectador, a quem Clive Owen consegue sempre transmitir um “quê” deveras intrigante a cada um dos seus personagens, e este é manifestamente mais um destes casos. Julianne Moore também se apresenta em boa forma como a revolucionária Julian, assim como o eterno Michael Caine com o seu Jasper, um cartonista político, amigo de Theo.

 

Uma banda sonora adequada e planos de camara competentes, alguns em estilo documentário que fazem as delícias de qualquer espectador, fazem desta adaptação do livro homónimo de P.D. James, de 1992, uma fita recheada de pormenores e em que nada foi deixado ao acaso. Senão, que dizer do cenário desolador de uma escola abandonada, da luta por preservar alguma identidade cultural que ainda reste, e da composição de um retrato que quase nos retorna à conduta Nazi, que figurará sempre como uma das mais vergonhosas épocas da história humana? São estes pormenores que destacam esta película das demais com sentido apocalíptico, embora o seu guião seja algo previsível em alguns pontos, mas mantendo uma singularidade que o coloca no conjunto de filmes de topo.

 

De mencionar a sequência final, os ecos.. a sobreposição dos sons das balas sobre os gritos, e um choro... que finda um massacre. Os créditos finais que começam com sons de crianças, embora o final esteja aberto a uma leitura mais vasta do que a do simples “final feliz”. Uma conotação religiosa, com base no milagre que é o nascimento de uma criança, mas também no sacrifício próprio por aquilo que acreditamos ser um bem maior. Tal como a personagem de Owen o fez.

 

Uma curiosidade ainda a referir, é a existência de um take de 6 minutos de duração, sem cortes de qualquer espécie. Uma pequena proeza da qual Cuarón certamente se orgulha.

 

Um retirar e atribuir de esperanças que mexe com os nossos ideais, e nos faz pensar no que o futuro cada vez mais próximo nos pode reservar. Uma sobrevivência mergulhada no caos, uma lição e um dos melhores filmes de sempre.

 

As the sound of the playgrounds faded, the despair set in. Very odd, what happens in a world without children voices.”

 

Nota Final: 9 / 10


 

 


Domingo, 3 de Janeiro de 2010

Going to the Mat (2004)

 

 

Jason “Jace” Newfield é um jovem invisual que se muda de Nova Iorque para um novo liceu no Utah. Lá, a sua adaptação é mais complicada do que se esperaria. Mais como autodefesa do que por feitio, o jovem manifesta-se algo “agreste” para com os seus novos colegas, e é precisamente isso que os afasta dele, e não o facto de ser cego, ao contrário do que ele pensa.

 

O primeiro passo de Jason no novo liceu passa por se inscrever nas aulas de música (em que é realmente bom!). Mas em busca de uma melhor aceitação, decide ingressar na equipa de wrestling. Cabe-lhe agora fazer tudo para vencer mais este desafio.

 

Este filme Disney apresenta duas mais valias imediatas que não posso deixar de mencionar: a ausência de Hannah Montana, Jonas Brothers e afins, e uma história coerente livre de estereótipos. Sim, um liceu não se livra das suas personagens características: o desportista, o amigo falhado, o treinador exigente, entre outros, mas consegue-o de maneira equilibrada e realista. Mesmo as cenas consideradas mais “lamechas” estão a um nível aceitável e sério.

 

Mas o ponto mais forte reside no tipo de história que nos é contada. Tudo bem que o universo dos invisuais foi já por várias vezes explorado, mas é bom vê-lo num formato Disney, de forma mais leve e tendo os jovens como público alvo.

 

As actuações que compõe a fita são, também elas, amplamente competentes, especialmente da parte de Andrew Lawrence, o protagonista. A composição que fez para o seu personagem é genuína e realista. Um bom trabalho.

 

Gostaria de assinalar também alguns bons pormenores, como a sinalização sonora de uma tabela de basket, que permitem a Jason jogar, ou das tácticas que permitem a participação de cegos no desporto retratado no filme.

 

Assim, “Ir ao Tapete” é mais uma fita que pretende transmitir determinados valores, funcionando no comum formato de “lição de vida” da qual a Disney se pode, e deve orgulhar. Um filme simples, mas que cumpre aquilo a que se propõe, e até mais, sendo por isso mesmo dos mais aclamados filmes da companhia. É por estas situações que se justificaria mais a sua presença numa sala de cinema do que a maioria dos filmes ocos que têm aparecido, sobre bandas que levam as nossas adolescentes à loucura...

 

Doesn't it ever tick you off? That when people look at you all they see is a blind guy?”

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 21:16
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

(500) Days of Summer

 

Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) trabalha numa empresa de postais. É nessa mesma empresa que conhece Summer Finn (Zooey Deschanel) e se apaixona por ela. Numa comédia romântica normal do tipo "boy meets girl", Summer apaixonaria-se por Tom e após uns percalços os dois ficariam juntos no final. Porém este não é um desses filmes. Este filme conta os 500 dias que Tom passa apaixonado por Summer e com a ideia de que apenas existe um grande amor na vida. 


"The following is a work of fiction. Any resemblance to persons living or dead is purely coincidental. Especially you Jenny Beckman. Bitch."

Escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber, e realizado por Marc Webb que vem do mundo da música e tem aqui a sua estreia em longas-metragens, chega-nos um filme que é contado de uma maneira criativa e divertida. A história vai saltando da frente para trás até que ambas as "histórias" se encontram a meio do filme, ficando depois mais linear. A fita em si não tem grandes pormenores técnicos, mas também não é isso que devemos esperar de um filme deste tipo. De salientar uma cena em que Tom acorda de manhã após ter passado a sua primeira noite com Summer, vai para o trabalho e faz um numero musical divertidíssimo. Grande pormenor de Marc Webb

Fiquei agradado com o facto de que para este filme não tenham sido "recrutadas" estrelas já feitas do mundo do cinema. Em vez disso, chamaram ao serviço Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Chloe Moretz (Rachel Hansen, irmão de Tom), Geoffrey Arend e Matthew Gray Gubler (Paul e McKenzie, amigos de Tom), que abrilhantaram esta história com o seu talento em ascensão.

Como nota final, quero realçar a vergonha que são os cinemas portugueses. Apenas porque este filme obteve receitas um pouco fracas nos Estados Unidos, 500 Days Of Summer, um dos melhores filmes do ano, irá directamente para DVD. 

"Boy meets girl. Boy falls in love. Girl doesn't."

Nota Final: 8.5 / 10
 
 

 


Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

The Eye (2008)

 


Sidney Wells (Jessica Alba) é uma jovem violinista dotada de um enorme talento, mas que perdeu a visão ainda criança. Agora, perfeitamente adaptada a este modo de vida, vê a possibilidade de recuperar a vista através de um transplante de córnea.

 

Tudo parecia correr pelo melhor, até Sidney começar a ver algo mais do que esperaria...

 

Mais uma adaptação dos estúdios americanos de um filme de terror chinês, “Gin gwai” dos irmãos Pang, e que, segundo as críticas, nada mais é que uma cópia bastante inferior. Infelizmente (ou não, visto entrar na visualização desta fita com uma atitude mais neutra para com a mesma) não vi o filme original, de modos que não posso estabelecer um termo comparativo.

 

Ainda assim, posso dar a minha opinião sobre esta primeira incursão de Jessica Alba no género do terror. A jovem actriz consegue arrancar uma prestação razoável, bastante positiva em alguns momentos, e superior à dos outros actores. Mas, verdade seja dita, não era muito dificil consegui-lo... mas adiante.

 

A maneira lenta como a película se desenvolve, e o tempo que dispensa a cada espectro de acção conferem uma boa atmosfera para o que os realizadores David Moreau e Xavier Palud pretendiam mostrar.

 

Com alguns bons planos de câmara “O Olho” conjuga simplicidade narrativa com uma ou outra cena de “susto”. De frisar bem as aspas, porque são cenas agarradas ao mais comum dos clichés dentro do género. “Sustos” previsiveis, e que muito dificilmente o vão apanhar desprevenido.

 

Uma questão pertinente se coloca. O que mais gostei no filme foi a explicação dada para as visões de Sidney, mas, tendo em conta que estamos perante um remake, terá a versão original pormenores ainda melhores aos quais possa de facto atribuir a genialidade da ideia? Parece que tenho mesmo de deitar a mão ao original asiático...

 

Longe de ser incontornável, “The Eye” é o tipo de filme que entretém, funcionando talvez como uma boa aposta para quem deseja entrar neste género cinematográfico, já que se aproxima mais de um thriller sobrenatural do que propriamente de um filme de terror.

 

I know you're scared. Don't be, 'cause the world really is beautiful.”

 

Nota Final: 6.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 19:55
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Step Up 2: The Streets (2008)

 

 

Andie (Briana Evigan) é uma jovem rebelde que mostra todo o seu talento para a dança de forma ilegal, actuando em pleno metropolitano com a sua crew, os 410, e causando alguma desordem. Confrontada pela melhor amiga da mãe, que a tem a seu cargo desde a morte da progenitora, Andie só tem duas hipóteses: mudar-se para o Texas ou seguir o conselho do seu amigo de longa data, Tyler Gage (Shanning Tatum) e ir a uma audição na tradicional escola de artes de Maryland. Lá, Andie conhece Chase (Robert Hoffman) um popular aluno, e irmão do director da escola, por quem acaba por se apaixonar.

 

Incapaz de conciliar os treinos do seu grupo de dança com a escola, Andie é expulsa dos 410. É então que decide criar, juntamente com Chase, um novo grupo de dança com alguns dos alunos marginalizados da escola, por forma a poder competir nas ruas de Baltimore, contra outros grupos, incluindo os 410. Conseguirá a jovem vencer todas as barreiras e diferenças através da sua paixão pela dança?

 

Esta sequela do êxito do box office americano “Step Up” não prima pela originalidade do guião, e muito menos por prestrações brilhantes, vendo antes uma preocupação por parte do realizador, Jon Chu, em se focar no factor entretenimento que aqui aparece sob a forma de coreografias inequivocamente bem conseguidas. De referência imediata a sequência final que vale por todo o filme. É soberba, bastante original e criativa.

 

A banda sonora apresenta-se composta por um grupo de faixas bem conhecidas do público alvo e por isso mesmo, não compromete o produto ajudando claramente à sua comercialização e sucesso.

 

Típicamente adolescente, recheado de clichês, lamechas q.b e pouco criativo a nível da história, “Step Up 2” consegue ainda assim cumprir os seus objectivos com uma fotografia cuidada e diversidade de estilos e backgrounds que servem o propósito do entretenimento simples. Aconselhado a fãs do género e a quem pretender visualizar um filme de fácil consumo.

 

Look, the streets is about where you're from. It's not some school talent show. There's no spring floors. There's no spotlights to use what you got and... what makes you think you got it, huh?”

 

Nota Final: 6.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 22:52
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

The Echo (2008)

 

Numa algo atribulada ida ao cinema, optámos por um dos filmes menos publicitados, o thriller de terror “The Echo”, um remake do filme filipino “Sigaw” de 2004 e que conta, curiosamente, com o mesmo realizador, Yam Laranas. Ao contrário da maioria dos remakes, “The Echo” tem uma clara vantagem ao contar com o realizador do original para proporcionar uma melhor adaptação para os cinemas americanos.

 

Agora... Filme de terror? Bem, terror é uma categoria bastante subjectiva. Desde uma maior atenção da minha parte para filmes deste género que se tornou mais simples uma distinção dentro do mesmo. Uma divisão de classes, por assim dizer. É por isso mesmo que posso afirmar que “O Eco”, apesar de montado e publicitado como tal, está mais perto de um thriller do que de um filme de terror, puro e duro. Tem algumas cenas que apelam nesse sentido, mas pouco mais.

 

A fita prende o espectador com um suspense contido, difícil de digerir e compreender. Porque a situação assim o exige. Mas abordemos a história primeiro.

 

Bobby (Jesse Bradford) é um jovem em liberdade condicional que luta por refazer a sua vida. Volta à sua cidade natal, Nova Iorque, arranja um emprego e tenta reconquistar Alyssa (Amelia Warner), a sua antiga namorada. Agora, a viver na casa que pertencera à sua mãe, Bobby começa a apercerber-se de estranhos acontecimentos relacionados com os seus vizinhos. À medida que os ecos de uma história aparentemente por resolver galgam na vida do jovem, adensa-se o mistério em volta da morte da sua mãe. Conseguirá Bobby desvendar o mistério antes que este o leve à loucura e até, quem sabe, à sua própria morte e daqueles que ama?

 

A película deixa a sensação que algo mais poderia ter sido feito a nível de background da personagem principal. Embora sejam dadas algumas explicações, sente-se um desleixe nesse sentido, focando-se o filme num conjunto exarcebado de questões por responder.

 

A complexidade é uma constante, e alguns pormenores poderão confundir o espectador. Contudo, a fita vive muito dos efeitos sonoros, jogo de luzes e cores (os tons mortos conferem um ambiente interessante e claustrofóbico) e planos de acção capazes de provocar alguns “sustos”. E é nisso que se destaca. O trabalho de câmara está muito bem conseguido, de facto.

 

É um filme difícil de digerir, denso, e longe de ser perfeito, mas que se consegue consumar em competência. Cumpre aquilo a que se propõe.

 

You hear them... don't you?”

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 01:57
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