Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

The Last Sect (2006)

 

O último clã de vampiros à face da Terra é composto única e exclusivamente por mulheres, mulheres essas que se valem da Internet, mais especificamente de um site de encontros, o Artemis, para continuar a acumular vítimas.

 

Esta metodologia desenrolara-se por vários anos, até ao dia em que a jornalista Sydney St. James (Natalie Brown) entra em jogo... A jovem desloca-se então atè à sede do Artemis para entrevistar Anna (Deborah Odell), uma sombria mas sofisticada mulher, chefe do clã, e que vê em Sydney algo mais do que salta à vista...

 

Até que ponto o seu envolvimento não foi calculado? E que significado terão os estranhos sonhos que Sydney protagoniza juntamente com Anna?

 

Mas calma... a história não fica por aqui. Para pôr um fim à espécie vampírica, chega o mais temível caçador de todos os tempos: Van Helsing (David Carradine), que contará ainda com a a ajuda de Tone (Jordan Dyck) e Karpov (Julian Richings) nesta última missão. Conseguirão eles destruir o clã e a sua líder ancestral?

 

Realizado por Jonathan Dueck, eis um típico filme série-B, que não sabe, infelizmente, aproveitar o nível interpretativo (com especial apontamento para as protagonistas femininas e claro, Carradine igual a si próprio) e ambiente noir que consegue incutir ao longo dos seus 90 minutos de duração.

 

A história está lá e, se bem estruturada, conseguiria certamente impôr-se. Mas, infelizmente, a existência de uma série de factores prejurativos tomam forma e não permitem a consagração. Falo de claros "buracos" no argumento e de pormenores sem explicação que, devido ao ritmo demasiado lento, acabam por se tornar ainda mais penosos do que realmente são.

 

São de frisar ainda as claras tentativas do realizador em estabelecer certas semelhanças com "The Hunger", o que acabou por me prender a atenção. Não serão certamente em vão os paralelismos que podemos encontrar entre as duas fitas. Desde o ritmo lento com que a acção se desenrola, até aos maneirismos de Anna, que denotam um toque à la Catherine Deneuve, tudo se apresenta de forma bastante explícita. Mas, ao contrário da fita de culto de 1983, "The Last Sect" não prima pela coerência que um filme deste género requer. E se vão assitir o filme em busca de terror, esqueçam. Insere-se no género somente pelo teor vampírico, porque expressa somente rasgos de mistério e thriller.

 

Tinha potencial, mas soube a pouco. Muito pouco.

 

"Understanding is not important. Being true to your calling is."

 

Nota Final: 4.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 15:08
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Terça-feira, 16 de Março de 2010

"O Dez" (2010)

 
 
 
No passado fim de semana, nos dias 13 e 14 deste mês, a RTP 1 transmitiu uma produção de Leonel Vieira intitulada "O Dez".
 
"O Dez" é um filme composto por 10 curtas, de diferentes realizadores e argumentistas portugueses, todas elas com o mesmo fio condutor: uma lenda portuguesa sobre 10 moedas amaldiçoadas que serviram como pagamento pela morte de Viriato, às mãos de um traidor. Séculos mais tarde, essas mesmas moedas foram encontradas por 10 viúvas que decidiram que o melhor a fazer seria espalhá-las pelas suas famílias. E agora, elas circulam entre nós...
 
Abordando o género terror/fantástico, pelo qual o Golden Ticket tem um especial carinho (ou não fosse a nossa incursão no MOTELx), achámos por bem abordar este projecto que se apresentou preparado para o lançamento em diversas plataformas, desde internet (dia 1 de Março no portal Sapo) até à televisão (na RTP 1).
 
Assim, brevemente, colocaremos em análise as 10 curtas, numa previsão de dois posts. Esperemos que gostem!
 

 


Por Mafalda às 19:04
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Quinta-feira, 4 de Março de 2010

Jennifer's Body (2009)

 


 

Megan Fox, Megan Fox e mais Megan Fox. Sim, a rapariga é engraçada, de facto, e atrai bastante público para uma sala de cinema (já para não falar de um certo beijo altamente mediatizado...), factores estes bastante óbvios tanto para produtores como para realizadores (neste caso, para Karyn Kusama, responsável por “Aeon Flux”). Agora, só é pena acabarem por se focar em demasia nesses mesmos factores e deixarem um pouco ao acaso tudo o resto, que é, nada mais nada menos que uma melhor qualidade da fita!

 

Com o argumento a cargo da oscarizada Diablo Cody (realizadora do alternativo “Juno”), “Jennifer's Body” conta-nos a história de Needy e Jennifer, a nerd e a cheerleader desejada por todos, mas que, curiosamente, são também as melhores amigas.

 

Um dia, resolvem assistir ao concerto de uma banda de Myspace, os Low Shoulder, que escondem um macabro segredo sobre as suas individualidades. E é precisamente esse segredo que vai mudar a vida de Jennifer e de todos aqueles que a rodeiam...

 

Jennifer's Body” é uma mistura entre os filmes adolescentes e a comédia de terror, com um ou outro susto, piadas relativamente conseguidas, e uma banda sonora que tanto tem de interessante, misturando nomes como Foreigner e Black Kids, como de awkward, com utilização de determinadas músicas que se revelam completamente fora do contexto para com a cena em questão.

 

Algumas referências à cultura pop actual, como por exemplo aos X-Men ou até mesmo à Wikipédia, e ainda um competente momento musical encabeçado por Adam Brody são pontos altos numa fita cujo intuito é divertir, objectivo que consegue alcançar cabalmente, apesar de uma ou outra sequência menos bem conseguida.

 

Devo também denotar apreço pela técnica utilizada na sequência final da acção. Foi um bom pormenor. Já os diálogos... deixam a desejar em diversas situações, ora cedendo a clichés, ora sendo simplesmente sem nexo.

 

Não é um filme isento de erros, longe disso, mas pode ser encarado como uma nova forma de ver terror, com maior incidência no humor negro. E embora pudesse estar bastante melhor, é digno da pontuação que se segue.

 

PMS isn't real Needy, it was invented by the boy-run media to make us seem like we're crazy.”

 

Nota Final: 6 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 23:32
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Sexta a 3 - The Wolfman (2010)

 

 

Em 1941 nasce aquele que se viria a tornar um clássico ao longo dos anos. ‘The Wolf Man’, ‘O Lobisomem’, caracteriza aquele que no expoente de uma noite de lua cheia, se transforma numa terrível besta com instintos violentos e sangrentos. Agora em 2010, surge o remake deste que conta com as participações de Anthony Hopkins (Sir John Talbot) e Benicio Del Toro (Lawrence Talbot) nos papéis principais.
 
A história de ‘The Wolfman’ passa-se então em Inglaterra durante o século XIX, onde um súbito ataque (de uma pessoa? De um animal?) acaba por ferir mortalmente o irmão de Lawrence. Esta situação motiva o seu regresso a casa, onde à sua espera se encontram o seu pai John e a sua cunhada Gwen.
 
A forma brutal e misteriosa de tal trágico incidente, ‘obriga-o’ a investigar por sua conta e risco as origens de tal acontecimento. A verdade acaba então por se apoderar literalmente deste quando, numa outra noite de lua cheia, acaba por ser mordido por aquele que viria a ser conhecido por lobisomem. Mas para além das consequências óbvias que advêm deste ataque, Lawrence vai ser confrontado com a morte da sua mãe ainda em criança, e pelo lado oculto do seu pai... A caça ao lobisomem começou.
 
 
Diogo: Num ambiente tenso, onde na época ainda existia a caça às 'bruxas' (ou neste caso, aos lobisomens), se desenrola este filme que poderia ter mais a dar. Durante os 102 minutos da película encontramos dos mais variados clichés: desde a criança perdida da sua mãe aquando o ataque do lobisomem, salva no último segundo! por aquele que viria a tornar-se um deles, até ao desenrolar de uma paixão que acaba por morrer nos braços de Gwen... Está tudo lá. Mas também estão lá as cenas de acção e terror (muito discutível...) que acabam por ser a essência deste filme. Conjugado com a boa escolha de actores e com o já referido ambiente, The Wolfman vale por isso e passa com distinção, apesar de não ser um filme imperdível.
 
Nota Final: 7.5/10
 
 
Hugo: Numa actualidade que se vê dominada por vampiros, Joe Johnston tráz-nos outra criatura mítica do imaginário humano: os lobisomens. Sendo um remake, e dada a percentagem de filmes que têm obtido sucesso com esta fórmula, a manobra de erro era bastante pequena. Apesar de não ser um filme perfeito, The Wolfman obtém os seus pontos positivos nos efeitos especiais, no excelente ambiente negro em que o mesmo está envolvido e na banda sonora que acompanha todas as cenas de forma bastante competente. Com um elenco bastante atractivo, o destaque vai para o trio masculino composto por Benicio Del Toro, Anthony Hopkins e Hugo Weaving que conseguem ter desempenhos bastante positivos. The Wolfman apesar de certas incoerências na história (digamos que o final é um pouco ridículo) merece ser visto nem que seja pelo excelente ambiente de tensão que gera na sala de cinema. Para terminar gostaria de realçar a excelente atmosfera que se vive no Cinema São Jorge e a diferença que existe entre este e as salas de cinema em centros comerciais.
 
Nota Final: 7/10
 
 
Mafalda: Primando pelos efeitos especiais (a transformação de Del Toro é simplesmente soberba), "The Wolfman" perde algum do seu fulgor inicial pelo desenvolvimento pouco coerente de uma história que é, já de si, demasiado simples. Claro que podemos sempre atribuir as incoerências detectadas na narrativa à mudança de editores que o projecto sofreu, depois de uma avaliação pouco abonatória por parte dos estúdios da Universal. Por isso, não se admire o espectador ao encontrar alguns elementos sem nexo nesta película que ganha em boas interpretações mas perde num final inusitado e demasiado cliché (sequela a caminho?). Vale pelo ambiente recriado, e por uma fotografia pautada em tons maioritariamente mortos. E claro, pela quebra em filmes de conduta vampiresca! Uma lufada de ar fresco mas que tinha potencial para mais.
 
Nota Final: 7/10
 

 


Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Paris By Night of the Living Dead (2009)

 


 

Fosse a gargalhada um acto fácil de transpôr por palavras, certamente começaria com uma! Porque é mesmo isso que pede esta curta-metragem francesa.

 

Um jovem casal (David Saracino e Karina Testa) celebra o seu matrimónio até uma mortífera interrupção... Os zombies dominam a cidade de Paris e os recém casados são os únicos capazes de lhes fazer frente. Pela força das balas e da moto-serra, conseguirão chegar vivos à lua de mel?

 

Realizada por Grégory Morin, esta curta, que antecedeu o visionamento do desastroso “Vinyan” (também com crítica neste vosso blog) no MOTELx, conseguiu conquistar a plenitude da plateia pelo seu humor negro e situações inusitadas, bem como pela acção frenética que se faz sentir ao longo dos 12 minutos de duração da fita.

 

As actuações não são nada de outro mundo, o que neste caso não importa muito, na medida em que contribui para a vibe trash e de série B que a curta parece procurar.

 

Com uma fotografia apelativa (com as ruas de Paris como o cenário de fundo ideal), sequências gore bastante bem conseguidas e, consequentemente, com alguns efeitos especiais caracterísiticos dentro do género em que se insere, estamos perante um hino aos filmes de zombies, sendo que o que interessa mesmo é toda uma dinâmica de destruição em massa das criaturas que povoam uma enorme parcela do mundo dos filmes de terror.

 

Uma película de fácil visualização que se prende a um coolness effect e que tem “divertido” e “irreverente” como palavras chave.

 

E fique o espectador a saber desde já que não só Paris tem direito a esta animação... Para mais, basta ver a curta até ao fim.

 

Nota Final: 6.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 20:58
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Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Zombieland (2009)

 

 

Columbus (Jesse Eisenberg) é um jovem medricas que tenta sobreviver a um mundo pós-apocalíptico através de uma série de regras que o próprio inventou. Tallahassee (Woody Harrelson) é um autêntico exterminador de zombies que procura desesperadamente comer um Twinkie. Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) são duas irmãs que fazem de tudo para sobreviver. Embora, todos lutem pela sobrevivência, para eles é mais fácil matar zombies do que confiar uns nos outros. Com este "pequeno" argumento se fez uma das maiores surpresas do ano.
 
"You see? You just can't trust anyone. The first girl I let into my life and she tries to eat me."
 
Zombieland tem sido aclamado pela critíca como um dos melhores filmes do género dos últimos anos e a verdade é que os elogios são completamente merecidos. Escrito por Rhett Reese e Paul Wernick, e realizado pelo não muito conhecido Ruben Fleischer, Zombieland é um filme que não brilha pelas suas qualidades técnicas (embora as cenas de carnificina estejam bastante satisfatórias), mas brilha nas diversas situações hilariantes que as personagens nos proporcionam. Talvez tenha faltado alguma pitada mais de terror dado que os zombies não são uma constante no desenrolar do filme, tendo uma participação maior no principio e fim do mesmo.
 
Com um elenco relativamente pequeno (mas eficaz), os quatro têm uma performance bastante agradável e demonstram um completo entendimento em frente às câmaras e apresentando um espírito que se enquadrou perfeitamente no mundo de Zombieland. De referir também a participação extremamente divertida de Bill Murray que representa o papel de... Bill Murray.
 
"Oh, you're about to learn who you're gonna call... Ghostbusters."
 
Não apresentando uma história complexa, Zombieland é mais um filme que não brilha pelas suas cenas de cortar a respiração ou de terror puro, mas sim pelas boas gargalhadas que arranca do espectador durante a sua duração. Para terminar, se ficaram com vontade de matar uns zombies joguem Left 4 Dead que apresenta inúmeras parecenças com Zombieland.
 
"The first rule of Zombieland: Cardio. When the zombie outbreak first hit, the first to go, for obvious reasons... were the fatties." 
 
Nota Final: 8 / 10
 
 

 


Por Hugo às 15:45
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

A Aposta (2009)

 

 

Curta de 8 minutos de duração exibida no festival MOTELx e, também ela, nomeada para o prémio de melhor curta nacional.

 

A história que nos chega pelas mãos do realizador Vasco Sequeira apresenta-nos Maria (Sílvia Balancho) e Rita (Marta Borges), duas jovens que assistem a um filme de terror intitulado “O Manequim”. Enquanto que uma se revela fã incondicional do género, encarando-o como uma arte e portador de mensagens críticas à sociedade, por exemplo, a outra nada mais vê que um tipo de película que prima por cenas sem sentido, machistas e gore.

 

Além dessa visão, contrária à da “amiga” (o espectador terá oportunidade de perceber estas aspas), Maria insiste que não tem medo de nada, nem da morte. Cabe agora a Rita ver até que ponto as palavras de Maria devem ser levadas em conta, numa aposta deveras original...

 

Com bons planos e um ambiente cuidado, “A Aposta” prima pela simplicidade, e por uma total lacuna de explicações para o que se desenrola na acção. Contando com uma abordagem diferente, é uma curta leve, que se vê bem e com um interessante twist na relação dos personagens.

 

Contudo, não posso deixar de frisar alguns pontos que não me convenceram... nomeadamente alguma falta de expressão em determinados segmentos da fita (no assassinato que ocorre no filme de terror, e em alguns diálogos, por exemplo).

 

Porém, não deixem de a visualizar no seguinte link: http://www.youtube.com/watch?v=eRJaRxdYSaQ.

 

Para mim estes filmes são todos uma banhada, exploração machista e gratuita do sofrimento humano.”

 

Nota Final: 6.5 / 10


 

 


Sábado, 2 de Janeiro de 2010

Ghost Rider (2007)

 

 

Hoje decidi-me por uma abordagem diferente. Fazer a crítica enquanto vejo o filme.

 

Pois bem, esta é já a terceira vez que assisto a “Ghost Rider” e, como tal, a minha opinião está formada à bastante tempo. Pode-se dizer que o filme, é fraco. Realmente fraco.

 

Sim, temos as curvas de Eva Mendes para os espectadores mais atentos às beldades cinematográficas, e temos um dos personagens mais cool da Marvel (basta olhar para o poster). Mas isso, nos dias que correm, não chega, embora a facturação do filme tenha sido bastante positiva.

 

Mark Steven Johnson, o realizador de “Daredevil” e “Elektra”, apresenta-nos a história de Johnny Blaze (Matt Long), um jovem que realiza, juntamente com o pai, espectáculos de acrobacias com motos. Um dia, ao descobrir que o pai sofre de cancro, Johnny é tentado a realizar um pacto com o Diabo (Peter Fonda): ceder-lhe a sua alma, em troca da cura do pai.

 

O jovem acaba por assinar o pacto, mas logo é traído, assistindo à morte do progenitor. Desorientado, abandona tudo, incluindo a namorada Roxanne (Raquel Alessi).

 

10 anos depois, Johnny (agora interpretado por Nicolas Cage) é famoso pelas suas acrobacias, levando multidões ao delírio. Tudo parecia correr pelo melhor, não fosse um antigo “amigo” vir cobrar a sua parte do acordo. Mephistopheles, o Diabo, voltou para requisitar os serviços daquele que se vai tornar no novo Ghost Rider.

 

Cabe-lhe agora procurar o contrato de San Venganza, um contrato que possui 1000 almas demoníacas. Mas Mephistopheles não é o único a cobiçar o documento... Também o seu filho, Blackheart (Wes Bentley), pretende deitar-lhe a mão...

 

Estamos perante mais uma má escolha de Nicolas Cage, o que ultimamente tem sido bastante comum na carreira do actor. Com um argumento fraco, interpretações forçadas, diálogos medonhos (“My name is Legion. For we are many!”... Digam-me... o que é isto?...) e efeitos especiais que não são nada por aí além (porque é que sempre que ocorre a transformação parece que estamos perante um indivíduo sem pescoço?? E que proporções são aquelas?? Tenho de me lembrar de não fazer críticas enquanto assisto aos filmes... Assim sempre me vou esquecendo de alguns pormenores...), estamos perante o típico filme de super heróis que deixa muito a desejar. Meu querido “Batman” de Christopher Nolan...

 

O filme entretém, isso não se pode negar, mas apresenta momentos realmente maus, atingindo um expoente máximo de nulidade na sua recta final. Os vilões de tão ridículos que são, simplesmente não convencem. É mais uma boa história da banda desenhada que se perde com constantes recorrências a clichés e facilidades características deste realizador. Bom para ver numa tarde chuvosa, ou como é o presente caso, numa noite de rescaldo da passagem de ano. Quem aproveitou a passagem certamente não ligará muito à banalidade latente da fita.

 

It's said that the West was built on legends. And that legends are a way of understanding things greater than ourselves. Forces that shape our lives, events that defy explanation. Individuals whose lives soar to the heavens or fall to the earth. This is how legends are born.”

 

Nota Final: 4 / 10

 

 

 


Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

The Eye (2008)

 


Sidney Wells (Jessica Alba) é uma jovem violinista dotada de um enorme talento, mas que perdeu a visão ainda criança. Agora, perfeitamente adaptada a este modo de vida, vê a possibilidade de recuperar a vista através de um transplante de córnea.

 

Tudo parecia correr pelo melhor, até Sidney começar a ver algo mais do que esperaria...

 

Mais uma adaptação dos estúdios americanos de um filme de terror chinês, “Gin gwai” dos irmãos Pang, e que, segundo as críticas, nada mais é que uma cópia bastante inferior. Infelizmente (ou não, visto entrar na visualização desta fita com uma atitude mais neutra para com a mesma) não vi o filme original, de modos que não posso estabelecer um termo comparativo.

 

Ainda assim, posso dar a minha opinião sobre esta primeira incursão de Jessica Alba no género do terror. A jovem actriz consegue arrancar uma prestação razoável, bastante positiva em alguns momentos, e superior à dos outros actores. Mas, verdade seja dita, não era muito dificil consegui-lo... mas adiante.

 

A maneira lenta como a película se desenvolve, e o tempo que dispensa a cada espectro de acção conferem uma boa atmosfera para o que os realizadores David Moreau e Xavier Palud pretendiam mostrar.

 

Com alguns bons planos de câmara “O Olho” conjuga simplicidade narrativa com uma ou outra cena de “susto”. De frisar bem as aspas, porque são cenas agarradas ao mais comum dos clichés dentro do género. “Sustos” previsiveis, e que muito dificilmente o vão apanhar desprevenido.

 

Uma questão pertinente se coloca. O que mais gostei no filme foi a explicação dada para as visões de Sidney, mas, tendo em conta que estamos perante um remake, terá a versão original pormenores ainda melhores aos quais possa de facto atribuir a genialidade da ideia? Parece que tenho mesmo de deitar a mão ao original asiático...

 

Longe de ser incontornável, “The Eye” é o tipo de filme que entretém, funcionando talvez como uma boa aposta para quem deseja entrar neste género cinematográfico, já que se aproxima mais de um thriller sobrenatural do que propriamente de um filme de terror.

 

I know you're scared. Don't be, 'cause the world really is beautiful.”

 

Nota Final: 6.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 19:55
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Paranormal Activity (2007)

 

 

Dá que pensar. Esta será certamente a melhor conclusão a retirar do filme sensação de 2009 nos Estados Unidos, “Actividade Paranormal”.

 

Um casal, uma casa, estranhos fenómenos e uma câmara de filmar. Estão lançados os dados numa história que, como é anunciado, não deverá ser vista por um solitário espectador. Mas elaboremos um pouco mais...

 

Micah (Micah Sloat) e Katie (Katie Featherston) são um jovem casal que, após se mudar para uma nova casa, começa a aperceber-se de estranhos fenómenos que ocorrem sem razão aparente. Por forma a desvendar o mistério, decidem instalar uma câmara no seu quarto, o local onde se dão a maioria dos fenómenos, registando assim tudo o que acontece enquanto dormem.

 

Nunca é demais referir que esta película do estreante Oren Peli foi filmada em apenas 7 dias, na casa do próprio realizador, contando somente com 4 actores e livre de grandes efeitos especiais. Assim, não será dificil concluir que os baixos custos de produção (cerca de 11 mil dólares) se vêem agora mais que rentabilizados, ou não fosse “Paranormal Activity” um tal sucesso de bilheteira que chegou mesmo a destronar “The Blair Witch Project” do topo da lista dos filmes que mais lucraram na sua estreia.

 

Essencialmente, podemos atribuir a “culpa” de tal situação ao incansável marketing em torno do filme. O trailer oficial utilizou uma metodologia já usada no sublime “REC” (foram publicitadas as reacções do público aquando do visionamento da fita), o que acaba por, de certa forma, levar o espectador a um engano.

 

Sim, um engano. Eu gostei realmente da película mas, verdade seja dita, o trailer é ambicioso demais, levando a espectador a ter uma noção bastante distinta da realidade. Existem somente dois ou três momentos de susto (momentos esses que se encontram presentes no trailer, o que condicionou, e muito, a minha reacção à visualização dos mesmos), e pouco mais. A restante fita prende-se bastante em alguns clichés comuns neste tipo de produção, e dá bastante relevância ao dia a dia do casal, o que para mim é uma mais valia, pois confere um maior realismo à história que nos é contada.

 

Por isso mesmo, o tom dramático que Peli consegue imbutir resulta, não só pelos efeitos da câmara que atribuem um nivel bastante elevado de veracidade e proximidade, mas também pelo facto de se basear em factos reais.

 

As cenas sem explicação são uma constante, e a tensão à medida que o filme se desenrola é palpável. Os actores têm também um bom desempenho, permitindo uma preocupação quase que imediata com a sua situação.

 

Fica a ideia que algo mais poderia ter sido feito (especialmente no final, que se prova demasiado repentino e quase que cortando o clímax da acção), mas se tivermos em conta os baixos recursos de que o realizador dispôs, estamos perante um bom filme, inquietante, perturbador, claustrofóbico, com carisma documental, e que se distancia dos demais títulos do género. A ver.

 

You cannot run from this... It will follow.”

 

Nota Final: 8 /10

 

 

 


Por Mafalda às 10:45
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Sábado, 12 de Dezembro de 2009

I'll See You in My Dreams (2003)

 

Eis uma refinada aposta para quem quiser reunir o melhor de um filme de zombies, com tiradas de humor e uma pacatez tipicamente portuguesas.

 

Contando com nomes como Rui Unas, Sofia Aparício, São José Correia e João Didelet, entre outros, o autor Filipe Melo apresenta-nos uma curta metragem que tem como pano de fundo uma pacata vila assolada por zombies

 

De todos os habitantes da aldeia só Lúcio parece ainda ter a audácia de lhes fazer frente. Mas até mesmo o “herói” encerra um terrível segredo na cave de sua casa...

 

Assim se resume a história do filme através do qual o espectador, pela força da catana, se vê apto a desbravar terrenos nunca antes trilhados no terror português (de relembrar que “I'll See You in My Dreams” é honrosamente apelidado de o primeiro filme português com a temática dos zombies).

 

Personagens bem construídas, boa composição cénica (nomeadamente a nível do ambiente que se consegue recriar, caracteristicamente frio, sujo e sombrio), uma competente fotografia e um guião inteligente que joga com suspense e comédia, garantindo 20 minutos bem passados mas que, a meu ver, tinham história para muito mais.


E embora com ou outro efeito menos conseguido, convém relembrar que estamos perante uma curta que contou com um baixo orçamento, o que só vem valorizar ainda mais o trabalho desenvolvido, e a capacidade demonstrada em fazer bom cinema com poucos recursos. Digno de registo!

 

De notar ainda a falta de explicações quanto à infestação da vila pelas terríveis criaturas. O facto de a acção partir do momento em que a aldeia já vive quase como que num quotidiano com a presença dos zombies é deveras refrescante e, por isso mesmo, aceitável esse “lapso” na narração.

 

Será pois de concluir que houve uma tremenda eficácia no contar da história, bem como no twist final, que certamente será do agrado do espectador. E viva a velha máxima de que filmes de zombies retratam uma sociedade corrompida!

 

Com banda sonora a cargo de Moonspell, esta película revela-se imperdível para fãs do género e não só. A provar como se faz bom cinema em Portugal.

 

Se há algo que eu não suporto nesta aldeia... é a merda dos zombies.”

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 04:12
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Sábado, 21 de Novembro de 2009

My Bloody Valentine (2009)

 

Há 10 anos atrás, a cidade de Harmony ficou marcada por um terrível acidente. Um grupo de mineiros ficou soterrado por culpa de um acto irreflectido de Tom Hanniger, um ainda inexperiente mineiro e filho do dono das minas Hanniger. Desse grupo, só Harry Warden sobreviveu, entrando porém num coma do qual só veio a despertar um ano depois, no dia 14 de Fevereiro.

 

Assim, sedento de vingança, o mineiro assassina 22 pessoas, entre os quais, um grupo de jovens que celebrava o dia de São Valentim. Nessa mesma noite, Harry reencontra Tom, mas é abatido pela polícia antes de conseguir matar o jovem. Agora, Tom está de regresso a uma cidade marcada pela tragédia, e cujos habitantes nada mais nutrem por ele que desconfiança e rancôr...

 

Eis a história da minha primeira experiência 3D no cinema. Boa companhia, pipocas e um filme... deprimente. Pois, não correu lá muito bem para primeira vez. “São Valentim Sangrento” apresenta-se como um remake do filme homónimo de 1981, e nada mais é que o típico filme slasher sem conteúdo. Uma premissa gasta à partida, nada inovadora, carregada de clichês, previsível e, guess what, extremamente aborrecida.

 

Vale talvez por algumas tiradas de humor negro, e por um ou outro efeito 3D bem conseguido. Embora, confesse, sejam bastante repetitivos. O instrumento de susto pouco varia, estando o espectador condenado a ser “atacado” constantemente pela picareta do assassino.

 

A única cena digna de relevo (e desculpem-me as mentes mais sensíveis), será mesmo a do hotel. Sim... há nudez gratuita. Mas é isso que destaca a cena das demais. É a única inovação da qual o realizador Patrick Lussier se pode gabar (e com um bom desempenho por parte da actriz Betsy Rue, apesar das condicionantes naturais neste tipo de cena).

 

Porque à parte disso, só há mesmo a retirar péssimas interpretações de um elenco jovem maioritariamente televisivo (“Supernatural” e “Dawnson's Creek” que, obviamente, não garantem bons actores cinematográficos), diálogos banais e monótonos, cenas sem nexo e uma fraca ambição (bastante notória na recta final do filme, que pouco mais é que risível). Tudo bem que estamos a falar de uma película claramente destinada ao entretenimento, mas não é razão para o profundo desleixe que se sente na fita.

 

Dispensável, a não ser que vá assistir ao filme livre de quaisquer expectativas.

 

Damn Harry Warden. Got me aiming at shadows.”

 

Nota Final: 4 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 23:58
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Re-Animator (1985)

 

 

Im-per-dí-vel. Mark my words on this one.
 

Inserido no culto dos mestres de terror vivos do MOTELx, este “Re-Animator” de Stuart Gordon é sem dúvida um dos mais conhecidos, populares e aclamados filmes dentro do género do terror.
 

Gordon apresenta-nos a história de Herbert West (Jeffrey Combs), um brilhante cientista que conseguiu criar em laboratório uma estranha substância capaz de dar vida aos mortos. Após a morte de um professor seu, na Suíça, West vê a oportunidade perfeita para testar a substância. Contudo, a experiência corre mal, e o jovem médico é de seguida transferido para uma faculdade de medicina americana, a Miskatonic University, onde continua os seus estudos.
 

É lá que conhece Daniel Cain (Bruce Abbott), um promissor médico cujo principal objectivo é salvar vidas. Vendo na substância de West uma hipótese de dar a vida aos seus potenciais pacientes, Dan ajuda-o a ter acesso à morgue do Hospital onde trabalha. Lá são realizadas novas experiências, que correm igualmente mal, e é nessa altura que os seus estudos se vêem expostos e cobiçados por Carl Hill (David Gale), um médico cujo maior desejo é possuir a noiva de Dan, a ingénua Megan (Barbara Crampton).
 

Conseguirão agora Dan e Herbert evitar que a substância caia nas mãos do vil médico?
 

Irreverente, inovador, demente e extremamente divertido. Uma masterpiece brilhante a vários níveis, desde o argumento (adaptação livre da obra de H. P. Lovecraft, “Herbert West: Reanimator”), até às interpretações por parte de todos os actores, efeitos especiais (a chegada do Dr. Carl Hill ao escritório, com a sua cabeça a ser transportada pelo seu próprio corpo decepado, por exemplo, está brilhantemente conseguida), montagem, técnicas de filmagem. Nada é deixado ao acaso nesta longa metragem que garantiu uma das melhores audiências na 3ª edição do Festival Internacional de Cinema de Terror.
 

Filme trash por excelência, ou típicamente série B, se preferirem, “Re-Animator” prima pela apresentação de cenas totalmente explícitas e corrosivas, de um refinado humor negro e de inteligentes diálogos, provando que o terror é também uma categoria digna dos melhores clássicos.
 

Desta forma, caro leitor, não se pode considerar verdadeiramente fã do género se nunca visualizou esta película, portanto, apresse-se a fazê-lo!
 

Who's going to believe a talking head? Get a job in a sideshow.”
 

Nota Final: 9 / 10

 

 

 


Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

The Echo (2008)

 

Numa algo atribulada ida ao cinema, optámos por um dos filmes menos publicitados, o thriller de terror “The Echo”, um remake do filme filipino “Sigaw” de 2004 e que conta, curiosamente, com o mesmo realizador, Yam Laranas. Ao contrário da maioria dos remakes, “The Echo” tem uma clara vantagem ao contar com o realizador do original para proporcionar uma melhor adaptação para os cinemas americanos.

 

Agora... Filme de terror? Bem, terror é uma categoria bastante subjectiva. Desde uma maior atenção da minha parte para filmes deste género que se tornou mais simples uma distinção dentro do mesmo. Uma divisão de classes, por assim dizer. É por isso mesmo que posso afirmar que “O Eco”, apesar de montado e publicitado como tal, está mais perto de um thriller do que de um filme de terror, puro e duro. Tem algumas cenas que apelam nesse sentido, mas pouco mais.

 

A fita prende o espectador com um suspense contido, difícil de digerir e compreender. Porque a situação assim o exige. Mas abordemos a história primeiro.

 

Bobby (Jesse Bradford) é um jovem em liberdade condicional que luta por refazer a sua vida. Volta à sua cidade natal, Nova Iorque, arranja um emprego e tenta reconquistar Alyssa (Amelia Warner), a sua antiga namorada. Agora, a viver na casa que pertencera à sua mãe, Bobby começa a apercerber-se de estranhos acontecimentos relacionados com os seus vizinhos. À medida que os ecos de uma história aparentemente por resolver galgam na vida do jovem, adensa-se o mistério em volta da morte da sua mãe. Conseguirá Bobby desvendar o mistério antes que este o leve à loucura e até, quem sabe, à sua própria morte e daqueles que ama?

 

A película deixa a sensação que algo mais poderia ter sido feito a nível de background da personagem principal. Embora sejam dadas algumas explicações, sente-se um desleixe nesse sentido, focando-se o filme num conjunto exarcebado de questões por responder.

 

A complexidade é uma constante, e alguns pormenores poderão confundir o espectador. Contudo, a fita vive muito dos efeitos sonoros, jogo de luzes e cores (os tons mortos conferem um ambiente interessante e claustrofóbico) e planos de acção capazes de provocar alguns “sustos”. E é nisso que se destaca. O trabalho de câmara está muito bem conseguido, de facto.

 

É um filme difícil de digerir, denso, e longe de ser perfeito, mas que se consegue consumar em competência. Cumpre aquilo a que se propõe.

 

You hear them... don't you?”

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 01:57
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Domingo, 15 de Novembro de 2009

Papá Wrestling (2009)

 

Que dizer de uma das melhores curtas a passar pelo MOTELx?


Não quero de modo algum com esta afirmação subvalorizar a curta vencedora, até porque, infelizmente, não a consegui visualizar (pelo menos para já), porém, devo dizer que nada me espantaria ver “Papá Wrestling” sair coroado desta pioneira iniciativa. Ainda assim, conseguiu sair do Festival com uma menção honrosa atribuída pelo júri e que não foi, de todo, atribuída “à toa”, senão vejamos...


Extremamente gore, masoquista, divertido (!), criativo e inovador, “Papá Wrestling” apresenta ao espectador a história de um tímido rapaz (Bruno Silva) que é mal tratado pelos rufias da escola. Um dia, roubam-lhe a lancheira do almoço, e humilham-no. Chegando a casa, o rapaz conta o sucedido ao pai (Clemente Santos), um wrestler na reforma, que sem pensar duas vezes parte em busca de uma vingança sangrenta...


A nível interpretativo, não é demais afirmar que os jovens “actores” têm uma prestação claramente fraca, factor que só se consegue esquecer pelo argumento inebriante, rico em humor negro (o qual estamos, infelizmente, pouco habituados a ver) e virtuosamente elaborado por Fernando Alle. Outro dos pontos fortes da curta de 8 minutos de duração prende-se com o contraste latente da personagem do pai. Se por um lado é extremamente carinhoso e preocupado com o filho, por outro é capaz das maiores atrocidades contra aqueles que de alguma forma o prejudicam.


Os efeitos especiais e sonoros estão bastante bem conseguidos, quanto mais não seja pelo teor pesado que a curta exige. A agressividade é latente e permite um cheirinho ao estilo Tarantino que é sempre digno de se ver.


Imperdível, um verdadeiro must see dentro do género. A conferir em http://www.youtube.com/watch?v=xPZMmjRceqM.


Papá, os meninos maus da escola roubaram-me a lancheira que tinha o almoço que tu fizeste com tanto amor e carinho.”
 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 02:37
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Sábado, 14 de Novembro de 2009

Blood: The Last Vampire (2009)

 

 

Baseado no anime criado por Hiroyuki Kitakubo, chega-nos a história de Saya (Gianna Jun), uma jovem japonesa de 16 anos, que trabalha para uma organização não governamental cuja principal missão é aniquilar seres demoníacos.

 

A particularidade, é que Saya é uma das últimas vampiras originais, filha de pai humano e mãe vampira. A jovem vive com um só objectivo: vingar-se de Onigen, o demónio que matou toda a sua família e cuja verdadeira identidade é abraçada por um segredo...

 

Alguns contornos da história permitem ao espectador afirmar estar perante uma versão feminina de Blade, porém, embora as semelhanças consideráveis, o que salta à vista é o facto deste “Blood – The Last Vampire” não chegar sequer aos calcanhares dos dois primeiros filmes da referida trilogia protagonizada por Wesley Snipes. Mas vamos ao filme em si...

 

Sem diálogos eloquentes ou extensos, “Blood: O Último Vampiro” deixa muito a desejar. Se por um lado realiza um bom esforço em dinamizar sequências de acção mais que vistas (destacam-se as cenas de luta na floresta nipónica, por exemplo), com efeitos especiais inovadores, por outro perde o rumo graças a uma actuação fraquíssima por parte dos actores.

 

Consegue alguns bons planos de acção e fotografia, mas quase de imediato desfaz esse crescendo desempenho ao apresentar-se com uma fraca montagem. A continuidade das cenas vê-se comprometida por inúmeras vezes, causando um desnorte natural no espectador. Falha grave ainda no CGI, como podemos observar pelo vilão fraquíssimo, mal conseguido, e pouco apelativo.

 

Completamente oco, sofrível, vazio e dispensável. Assim é mais este filme de vampiros, que prometeu mais do que aquilo que pode realmente oferecer. E agora pergunto-me: porquê colocar numa sala de cinema, um live-action tão mau que, aos primeiros minutos, se revela desde logo um erro? Dá que pensar.

 

"She's out there... searching..."

 

Nota Final: 3 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 21:25
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

O Homem Violento (2009)

 

Três actos compõe esta curta de Pedro Florêncio: a Avó, o Bebé e o Piquenique.

 

Durante 6 minutos, as acções subdividem-se com o intuito de chocar e permitir jogos psicológicos entre aquilo que vemos, e o que sabemos ser o resultado de uma série de actos psicóticos por parte de um jovem que é, pelos menos aparentemente, capaz de mostrar e despertar algumas emoções (a forma como pega no bébe, é disso um bom exemplo).

 

Com uma leitura de trás para a frente, dado que somos introduzidos à fita com o final da mesma, o espectador não chega a compreender muito bem o que leva o rapaz a cometer tais acções. E, embora eu muitas vezes defenda que nem sempre uma explicação é necessária, fica a ideia de que algo mais poderia ter sido feito. Sente-se uma lacuna no facto de conseguir mostrar sentimentos, mas ao mesmo tempo ter a frieza para matar. É um factor complexo e pouco explorado.

 

Isento de falas, “O Homem Violento” vive da banda sonora ora em crescendo, ora completamente ausente, que deixa o espectador inebriar-se com os sons característicos do ambiente em que se encontra. Sente-se uma violência também ela crescente com o decorrer da fita, tornando-se tudo mais gráfico à medida que mudam os planos de acção (duas parcelas das acções ocorrem em off-screen, sendo que o final se mostra nú e crú).

 

Assim, apesar do abrupto final, certo é que esta curta cumpre aquilo a que se propôs, revelando-se uma das mais bem produzidas do festival. Facto que poderá comprovar aqui: http://www.youtube.com/watch?v=fBWJ3h7OqXc.

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 00:42
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Domingo, 4 de Outubro de 2009

And From Now On There Shall Be No More Wolves (O Caçador) (2009)

 

 

 

Mais uma curta portuguesa que esteve a concurso no MOTELx e que se pode muito bem resumir numa palavra: poética. O jogo de luzes e cenários permite uma abordagem estéticamente bonita, claustrofóbica e convincente, que nos prende até ao final, numa expectativa crescente.

 

Ana Moreira, a par de Cláudio da Silva, protagoniza esta película realizada por Joana Linda e que tem a morte, e a espera pela mesma, como agentes principais da acção. São minutos de ansiedade por parte do espectador que pode ter várias leituras sobre o mesmo segmento que se lhe apresenta, ao mesmo tempo que vê a relação dos protagonistas como um contraponto atenuante da situação experienciada pela personagem de Ana.

 

Um filme de vampiros? Um filme de lobisomens? Algo com ou sem nexo? Que situação é esta que se desenrola perante os nossos olhos?

 

São diversas as questões que se levantam e que culminam num grito desesperado, que ecoa na memória findos os 15 minutos de duração da curta, e uma mensagem que fica, de que o caminho para aquele que se apresenta como o fim de um ciclo, deve ser trilhado de forma balanceada entre o consciente e o inconsciente. Porque há fugas que não são possíveis, nem concretizáveis.

 

A protagonista encontra-se numa dessas fugas, assim como o espectador, que não deve por nada perder este hino aos sentidos e a um dos maiores medos do ser humano. Imperdível, e a meu ver, uma das melhores curtas apresentadas no Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. O prémio teria sido bem atribuído, como poderão comprovar aqui: http://www.bright-white-light.com/diary/?page_id=1506.

 

"Ela está a chegar... Tem pressa, tem fome..."

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 14:11
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Domingo, 27 de Setembro de 2009

Trick r’ Treat (2008)

 

 

Noite de Halloween. 4 histórias intrinsecamente ligadas. Nada confuso, nada decepcionante. Simplesmente... soberbo!

 

Desta forma se resumiria aquela que foi, pelo menos para mim, uma das melhores surpresas a nível de longas metragens nesta terceira edição do MOTELx.

 

A premissa deste "A Noite de Todos os Medos" prende-se com as acções que conseguem relacionar 4 histórias tão diferentes como a de um professor que mantém uma vida secreta como serial killer, uma jovem virgem que aguarda pela pessoa certa, um grupo de jovens que prepara uma terrível partida, e ainda um velho rabugento com um segredo do passado prestes a ressurgir.

 

Contando com nomes como Dylan Baker, Anna Paquin, Brian Cox e Lauren Lee-Smith no leque de actores, não será difícil concluir que a fita saiu a ganhar em matéria interpretativa. Anna e Lauren, em particular, conseguem abrilhantar aquela que encaro como a melhor história em termos visuais. Recordo-me de imediato de uma transformação que quem tiver oportunidade de visualizar, saberá certamente ao que me refiro. Muito bem conseguida.

 

Uma outra mais valia da película prende-se com a abordagem às diferentes histórias como se de uma banda desenhada se tratasse. Um bonito e envolvente “separador” que ajuda o espectador a acompanhar melhor o desenrolar da fita, uma vez que esta se apresenta num “trás para a frente” constante, interligando as mais diversas personagens.

 

Outro pormenor que me cativou foi o jogo de comédia com um terror mais “sério”. As gargalhadas foram audíveis na sala, mas também não faltaram os comuns saltos na cadeira. Tudo se conjugou impecávelmente para um produto final coerente, interessante, original e divertido. Algumas sequências poderão até lembrar um qualquer episódio da série televisiva “Arrepios”, mas desengane-se o espectador ao pensar que isso é mau. Pelo contrário.

 

Considerado um dos melhores filmes sobre a festiva época do Halloween, desde... pois bem, “Halloween” de John Carpenter, “Trick r’ Treat” apresenta-se como uma lufada de ar fresco dentro do género, sendo extremamente injusto o seu lançamento directo para DVD.

 

Inteligente, provocador, onde nem tudo é o que parece. É assim se compõe uma película imperdível e que conquistou calorosos aplausos nos festivais de cinema em que se apresentou.

 

“Always check your candy.”

 

Nota Final: 9 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 20:02
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

F.R.U.N.C. (2009)

 

 

Curta com produção a cargo de DROID i.d., que poderia ser um par de minutos bem passados... mas não é bem.

 

Falta qualquer coisa na essência desta curta de Paulo Prazeres para estar ao nível de muitas das outras que passaram pelo MOTELx deste ano. A história do homem que vai ao médico porque tem um frúnculo, que não é bem, deixa bastante a desejar.

 

Embora seja uma curta despretenciosa e cujo principal intuito é entreter e abordar uma vertente algo cómica, certo é que, talvez pelo excesso de tempo perdido com os créditos, por alguns efeitos menos conseguidos ou por uma interpretação um tanto ou quanto desligada por parte dos actores, foi uma das mais fracas que tive oportunidade de visualizar.

 

A inovação e ousadia nem sempre são premiadas, e muito menos, bem executadas, e “F.R.U.N.C.” chega a roçar a mediocridade em determinados pontos. Com conotação de um qualquer anúncio televisivo, mostra-se dispensável, valendo somente pela boa edição sonora.

 

Ainda assim, podem vê-la em http://www.youtube.com/watch?v=_rPsuGRnIM8.

 

“Doutor... eu tenho um frúnculo, mas não é bem.”

 

Nota Final: 2 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 19:39
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Sábado, 12 de Setembro de 2009

Vinyan (2008)

 

 

“Mais valia ter ficado em casa…”

 

Foi desta forma que se expressou a maioria das pessoas que assistiram à película de Fabrice Du Welz, “Vinyan”. E devo dizer que concordo com elas.

 

Jeanne (Emmanuelle Béart) e Paul Belmer (Rufus Sewell) são um casal que vive preso à memória do filho, Joshua, que desapareceu no tsunami de 2004, na Tailândia. Porém, Jeanne sempre manteve a esperança de o filho estar vivo, muito pelo facto do corpo nunca ter sido encontrado. Agora, 6 meses depois, ao assistir a uma cassete filmada na Birmânia, Jeanne pensa ter vislumbrado Joshua.

 

O casal começa então uma busca desenfreada pelo filho, pelos estranhas e perigosas selvas tailandesas, onde o tráfico de crianças é uma constante.

 

Perturbador q.b., “Vinyan” desenrola-se monótonamente por entre paisagens deslumbrantes, mas pouco mais há a retirar do filme. Béart que nos costuma brindar com boas interpretações simplesmente não teve força para fazer frente a um enredo mundano, sem nexo e que peca por alguma falta de explicações.

 

Um outro factor que pode deixar os espectadores defraudados prende-se com a publicidade que se fez sobre o filme. Tudo leva a crer que estamos perante um filme de terror, no sentido lato da palavra, quando o que realmente se nos apresenta é um drama psicológico, com algumas cenas um pouco mais fortes mas que dificilmente justificam a tendência que se induz nos potenciais espectadores. O filme perde, e nós também. Se até o próprio realizador diz que “não de trata de um filme de terror”, não se percebe a insistência da produtora em proporcionar tal engano. Mas adiante...

 

Algumas questões ficaram sem resposta e o espectador fica sem saber até que ponto todos os “condenados” pelos Vinyan (os espíritos de alguém que foi morto sob terríveis circunstâncias, e que aparecem na fita sobre a forma de crianças... ou pelo menos, será essa uma das explicações) merecem ou não a sua punição.

 

A fotografia e efeitos competentes não são suficientemente fortes para desculpar as situações inusitadas, sendo bastante fácil concluir que estamos perante uma das grandes desilusões que passou pelo MOTELx. Vale pelos minutos iniciais, com uma entrada “ensurdecedora” e envolvente. Já o final... é melhor nem falarmos nisso.

 

“You let him go.”

 

Nota Final: 4 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 20:07
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Lazarus Taxon (2008)

 

 

Se deixar a crítica em branco fosse uma fiel representação do silêncio que se abateu sobre a sala 3 do cinema São Jorge após a visualização desta curta, então, seria mesmo isso que deveria fazer.

 

Por falta de compreensão do final (confesso que foi o meu caso) ou simplesmente por desilusão, certo é que “Lazarus Taxon” não arrancou sequer um solitário bater de palmas.

 

Encarando as mudanças climatéricas como agente apocalíptico, acompanhamos a jornada de um pai (Ariel Casas) que transporta o cadáver da filha (Maia Jenkinson), para que esta possa ser ressuscitada.

 

Paleontológicamente falando, o nome desta curta de Denis Rovira van Boekholt refere-se a uma espécie que deixou de existir, mas que reaparece anos mais tarde. Funciona portanto como metáfora para o que aquele homem cansado, desesperado, mas que ainda assim encontra forças graças ao amor incondicional pela filha, procura ao atravessar o Novo Mar num simples bote.

 

A príncipio somos atraídos por uma caracterização sublime, deslumbrantes planos de acção e uma fotografia sombria e envolvente, que funciona como promessa de algo maior por vir. O cenário de devastação e isolamento é uma mais valia, mas, no final, vê-se dilacerado por um conjunto sem nexo de acções que comprometem o esforço imposto nestes 15 minutos.

 

O estudo do sofrimento humano, com prismas sobre o medo e a fé que promovem a ideia de um futuro provável, em que a sobrevivência e os limites do ser humano são postos à prova, será certamente o mais apelativo da curta. Alguns chamar-lhe-ão “incompreendido”, e talvez com razão. Vale pelos minutos iniciais e por uma premissa que merecia um desfecho mais elaborado.

 

“Todo irá bien hija...”

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 09:21
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Deadgirl (2008)

 

Um filme pouco convencional, controverso e que retrata a já vasta ideia do cinema de terror, do cinema do imaginário que são os zombies, adaptando essa ideia ao universo (complexo) da adolescência. Os cenários de fundo são um hospital abandonado e uma escola como tantas outras nos EUA.

 

JT e Rickie são então os melhores amigos desde sempre. Numa sociedade como a americana, estes inserem-se num grupo que é visto como aqueles que nunca chegaram a lado algum, aqueles que nunca terão a consideração ou amor de uma rapariga socialmente ‘superior’. Rickie sente isso na pele por parte de JoAnn, uma cheerleader.

 

Num certo dia, e como acto de revolta, decidem faltar às aulas para visitar aquele que foi em tempos um hospital psiquiátrico Um sítio perfeito para libertar frustrações e para explorar... Enquanto se aventuram na descoberta do abandonado hospital, encontram num sítio recôndito, uma jovem acorrentada a uma maca. Atraente por sinal, JT entusiasma-se com a ideia de estes não contarem nada a ninguém e ficarem com ela para eles... Ainda para mais, depois de descobrir que esta não sente dor, não tem necessidades e que não pode ser morta.

 

Os conflitos entre eles sucedem-se, acentuados com a chegada de Wheeler, um amigo em comum. Rickie sente então que o assunto está a tomar proporções perigosas e difíceis de controlar, aliado ao facto de não concordar com o que se está a passar.

 

A pressão social a que os jovens são submetidos acaba por ser um tema central da película. A forma como a sua vida é rotulada sem grandes hipóteses aparente de escolha, faz com que com as atitudes agressivas, sexuais e intemperadas de JT e Wheeler, sejam compreendidas no sentido que estes pensam que nada de melhor lhes poderá acontecer, que a sociedade os abandonou e nada mais lhes tem para oferecer.

 

Assim, aquela que foi o grande achado da vida de  JT, e que é tratada como o seu tesouro, não deixa por isso de se tratar de um Zombie. Com esta noção, a sua ambição atinge proporções de vida e de morte...

 

É então um filme de ‘terror’ que acaba por ser muito mais que isso. A crítica feita a uma sociedade que diverge em diversas áreas conectadas por preconceitos, anseios e desejos inalcançáveis é alimentada por conteúdos humorísticos que tornam o filme singular. Peca por não explicar ao longo do filme a origem da situação.

 

 

Nota Final: 8/10

 

 


Por Diogo às 14:37
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Mamá (2008)

 

A curta internacional de menor duração do festival MOTELx deste ano apresenta-se bem ao estilo do que o cinema de terror espanhol já nos habituou. Em 3 minutos são-nos apresentadas as irmãs Victoria (Berta Ros) e Lili (Victoria Harris). Victoria dormia descansada, até Lily a acordar abruptamente, anunciando a chegada de alguém... Uma entidade maléfica da qual as duas meninas têm de fugir: a sua própria mãe (Irma Monroig).

                 

Com bons efeitos especiais, e uma caracterização e fotografia a fazer lembrar o fantástico “El Orfanato” de Juan Antonio Bayona, este “Mamá” de Andres Muschietti, arrancou entusiásticos aplausos da audiência, muito pela destreza de acções e tensão palpável da história. É uma ideia bastante interessante jogar com uma personagem tão próxima das crianças, que certamente se debaterão interiormente sobre o que fazer perante tal situação.

 

E não foi só o público do MOTELx que se apercebeu disso. Guillermo Del Toro e a editora Universal acordaram já a produção de uma longa metragem baseada nesta mesma curta. E claro, a cargo de Muschietti.

 

Se por si só “Mamá” é já um bom produto (embora algo previsível, confesso), o que esperar da longa metragem? O melhor, quase de certeza. Mas para já, ficam estes 3 minutos que não devem deixar de conferir.

 

“Victoria, no mires, vamos!”

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 22:11
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Rogue (2007)

 

 

Coube a “Rogue”, filme australiano do mesmo realizador de “Wolf Creek”, dar as boas vindas a todos aqueles que no dia 2 deste mês se dirigiram ao Cinema São Jorge para a sessão de abertura do MOTELx.

 

Como diria o Diogo, “o videoclip do malogrado Michael Jackson, “Thriller”, foi a curta metragem non-official a passar antes do filme”, à semelhança de todas as sessões dos restantes dias do festival que contaram com o visionamento de uma curta (portuguesa ou internacional) antes da película em si.

 

Na presença de John Landis, responsável pelo já mencionado videoclip, desenrolou-se pois um filme que, contra alguma desconfiança, visto tratar-se de um monster movie (algo que me faz alguma confusão desde o triste “Lake Placid”), se provou um bom valor dentro do género.

 

A história passa-se numa Austrália remota, onde se encontra Pete McKell (Michael Vartan), um jornalista para uma revista de viagens. Lá, Pete embarca juntamente com outros turistas num passeio pelo rio do Kakadu National Park, por forma a observar crocodilos. Mas o que eles não esperavam era tornarem-se no principal alvo da besta...

 

Certamente pensará o espectador (e com razão) que estamos perante uma ideia mais que vista. O que diferencia então este “Rogue” dos restantes monster movies? A meu ver, a construção de personagens. Os momentos iniciais da fita são dedicados a conhecer os diversos tripulantes e a observar as belas paisagens com que Greg McClean nos brinda, tudo num estilo quase documental e que não deixa antever o momento que marcará o início do pesadelo para os personagens.

 

Num filme parco em sequências gore (uma vez que a maioria das mortes acontece em off-screen), Radha Mitchell e Michael Vartan (mais conhecido pelo seu papel na série Alias) são protagonistas à altura e não se excedem no típico “romance no meio de uma situação difícil”, construindo antes uma relação de mútuo respeito. Sam Worthington, mesmo que mal aproveitado, provou boas capacidades interpretativas, que certamente o ajudaram a conseguir o protagonismo em “Terminator Salvation”, a par de Christian Bale. A ter em atenção.

 

Pecando um pouco nos efeitos especiais finais do crocodilo e trabalhando alguns dos momentos de maior tensão com uma adequada banda sonora, “Rogue” é acima de tudo um filme consistente, que nos coloca em intímo contacto com a complexidade humana e que, dentro das suas impossibilidades, consegue ainda assim ser plausível em determinados pontos, fugindo do ridículo a que se renderam alguns dos seus antecessores.

 

Uma abertura digna!

 

“Are you sure you want to be the last one across?”

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 13:05
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

The Happening (2008)

 

 

Algo de estranho se passa em Central Park. Os corpos estagnam e, de repente, algo inesperado acontece... Mortes e mais mortes se seguem, todas elas por suicídio. E o pior, é que o número de cidades americanas onde se registam tais comportamentos aumenta a uma velocidade aterradora. O que estará por trás deste estranho comportamento? Mão humana ou algo ainda mais difícil de controlar?

 

Elliot Moore (Mark Wahlberg) é mais um sobrevivente que juntamente com a namorada, Alma (Zooey Deschanel), tenta escapar à morte certa, à vontade de pôr fim à vida. Mas… conseguirão? Do que fogem eles realmente?

 

É esta a premissa para “The Happening”, um dos mais recentes filme catástrofe a cargo de M. Night Shyamalan, o realizador indiano responsável pelo inesquecível “Sixth Sense”.

 

O facto de num estudo recente se ter provado que as células de quem comete suícidio apresentam algumas diferenças para as células de indivíduos que sofreram morte natural pode despoletar um ainda maior interesse nesta fita. Haverá efectivamente alguma forma de controlar a genética de forma a levar alguém a colocar fim à sua vida? É deveras interessante, mas voltemos à fita...

 

Embora à primeira vista nos seja apresentada uma história inteligente e bastante actual, certo é que toda a premissa cai por terra por culpa de inúmeras incongruências difíceis de gerir.

 

A nível interpretativo, foi-me bastante complicado identificar o melhor desempenho... porque ele parece quase inexistente. Deschanel apresenta-nos uma Alma com total falta de expressão e cuja apatia chega mesmo a ser enervante e constrangedora. Wahlberg parece também ele contagiado pela negatividade do filme e deixa bastante a desejar na sua performance. Assim, talvez as melhores, e curiosamente, mais curtas participações da fita, estão a cargo de John Leguizamo e Betty Buckley. Irrepreensíveis.

 

O guião, embora recheado de ideias características de Shyamalan, e mantendo o seu estilo narrativo, apresenta algumas falhas, especialmente notórias na recta final do filme. Os melhores pontos são alguns dos efeitos especiais, e cenas mais bem conseguidas (como o suícidio de pessoas que se atiraram de um prédio em construção, por exemplo, ou os momentos iniciais, bastante perturbadores e que nos deixam expectantes), conseguindo uma interessante composição.

 

Em tom conclusivo, é imperativo mencionar o final. E que final… A falta de explicações nem é aquilo que mais me incomoda (lembrar-se-à certamente o espectador de inúmeros filmes parcos em explicações, mas ainda assim, incontornáveis), mas sim o cliché que dele resulta. Se dúvidas houvessem, torna-se claro que estamos perante um dos filmes mais fracos de Shyamalan.

 

O conceito e imaginação estão lá. A qualidade, nem tanto. Vale somente pela história.

 

“You know plants have the ability to target specific threats.”

 

Nota Final: 5.5 / 10

 

 

 


Sábado, 11 de Julho de 2009

Blade (1998)

 

 

Nesta adaptação cinematográfica dos comics Marvel criados por Marv Wolfman e Gene Colan, chega-nos a história de Blade (Wesley Snipes), o “Diurno”, meio-homem, meio-vampiro.

 

20 anos antes... o ataque de um vampiro a uma mulher grávida fez com que o ADN da criança ainda por nascer adoptasse algumas características dos vampiros. Essa criança era Blade que, ao nascer, viu-se portador do melhor e pior dos dois mundos: forte, rápido, mas com uma sede cada vez mais difícil de controlar, e com a particularidade de poder estar em contacto com a luz do dia.

 

Ajudado por um dos últimos caçadores de vampiros, Abraham Whistler (Kris Kristofferson), Blade dedica-se a caçar a raça que mudou a sua vida para sempre. E agora, com um adversário à altura...

 

Esta primeira parte da bem sucedida trilogia que teve o seu (a meu ver, fraco) desfecho em 2004 com “Blade Trinity”, revela-se um bom filme de acção e que consegue surpreender o espectador pela positiva. O papel do imortal caçador assenta que nem uma luva a Snipes (que curiosamente também é o produtor do filme), assim como Stephen Dorff consegue um dos melhores vilões desta série de filmes. O seu Deacon Frost está excelente, e com a dose certa de carisma.

 

Afirmando-se como um dos blockbusters mais reconhecidos com a temática de vampiros (a par da também trilogia “Underworld”), Blade conquista pelas suas sequências de acção, bons planos, uso q.b. de efeitos especiais, toque noir, e frequente recorrência a cenas gore.

 

O filme, embora com uma certa celeridade no decorrer de algumas situações, e consequentes lacunas do guião, revela-se uma boa adaptaçao dos comics sendo mesmo considerado como um clássico incontornável dos filmes de terror/acção. Besides, Blade is cool, and that’s it!

 

“You give Frost a message from me. You tell him it's open season on all suckheads.”

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Sábado, 2 de Maio de 2009

Eden Lake (2008)

 

 

Deixando antever desde início uma história com contornos brutais, este “O Lago Perfeito” é uma “lufada de ar fresco” dentro de filmes do género.

 

Steve (Michael Fassbender) decide surpreender a namorada Jenny (Kelly Reilly) com um fim de semana romântico em Eden Lake, local onde tenciona pedi-la em casamento. Tudo seria perfeito não fosse terem-se cruzado com um grupo de jovens que ao serem repreendidos pelo casal, começa a aterrorizá-los, desde tecerem comentários jocosos até procederem ao roubo do seu carro.

 

Ao tentar reaver o carro e os seus restantes pertences, Steve acaba por se envolver numa discussão com um dos rapazes, e, no calor da luta acaba por apunhalar a cadela do líder do grupo, Brett (Jack O’Connell, que integra, à semelhança de Thomas Turgood, o elenco do filme do mês de Abril aqui no GoldenTicket, “This is England”). A morte da cadela desperta assim nos jovens um colérico sentimento de vingança cujas consequências se irão revelar devastadoras...

 

O nível interpretativo dos protagonistas, especialmente da parte de Michael Fassbender, deixa um pouco a desejar nos primeiros 10 minutos da fita que se pretende somente servirem como representação de uma calma aparente, mas prestes a ser quebrada. Porém, essas lacunas são compensadas pela fotografia e filmografia que, embora simples, se revelam competentes.

 

Com o decorrer da fita, muito pelo à vontade procurado para a execução de cada cena, os actores vêem colmatadas as suas falhas iniciais. Kelly Reilly, que à semelhança de Fassbender se parece tentar encontrar no início da película, consegue arrebatar o espectador nas cenas de maior intensidade dramática. Excelente. O núcleo mais jovem também não deixa créditos por mãos alheias, e consegue transmitir na perfeição o conflito interior perante tal situação. Porque no fim de contas, com tudo o que fazem, não passam de crianças...

 

O terror que se publicita tem tanto de visual como de psícológico, muito por culpa de toda a situação assentar numa base bastante coerente e realista. São situações presentes e possíveis no mundo actual. E esse acaba mesmo por ser o ponto mais assustador. A educação de uma criança prende-se essencialmente com os valores que lhe são transmitidos, e se os próprios progenitores são muitas vezes os indivíduos responsáveis por determinados actos, como esperar algo diferente de uma criança a seu cargo? Uma questão pertinente, e aqui respondida da forma mais desconfortável possível.

 

Violento, brutal, crú e perturbador. Não ficarão certamente indiferentes a este “Eden Lake”.

 

“At your first opportunity, turn around.”

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

The Ruins (2008)

 

 

Um grupo de amigos a passar férias no México conhece Mathias (Joe Anderson) que tem um irmão a investigar umas ruínas antigas. Mathias diz ao grupo que está de partida para as ruínas para ir ter com o irmão, e estes decidem ir com ele para quebrar a monotonia que as férias estavam a ter.

 

Quando chegam às ruínas algo de estranho acontece. Um grupo de locais ameaça-os, mata o amigo deles e não os deixa voltar para trás. Assim, Mathias, Jeff (Jonathan Tucker), Eric (Shawn Ashmore), Amy (Jena Malone) e Stacy (Laura Remsey), ficam presos nas ruínas e começam a aperceber-se que algo não está bem.

 

Baseado num livro, Carter Smith traz-nos um filme que embora tenha sido muito mal recebido pela maior parte dos críticos, na minha opinião está acima da média dos últimos filmes do género. Sem grandes pormenores técnicos, The Ruins destaca-se por misturar todos os ingredientes habituais num filme do género (jovens, bebedeiras e sexo) e mesmo assim não cair no ridículo. E isto deve-se,  principalmente, ao agente de terror não serem zombies ou factos paranormais, mas antes uma planta carnívora e inteligente que actua quando o ser humano menos está à espera.

 

Derivado à ‘estranheza’ da situação, o elenco consegue-nos surpreender com o seu misto de diferentes reacções ao que está acontecer e à diferença das decisões que tomam. Destacando-se quase todos pela positiva, o prémio de reconhecimento vai para Jonathan Tucker, embora o seu papel acabe por ser pequeno para o talento e o à vontade que transpõe em frente às câmaras. Laura Remsey acaba por não se destacar pela negativa, mas mesmo assim acaba por ter algumas situações ridículas talvez por ter sido a ‘hot girl’ do grupo.

 

Para terminar, o ponto negativo da história vai para o facto de nunca ser conhecido de onde aquelas plantas vieram nem tão pouco a relação dos locais com a mesma.

 

Nota Final: 7 / 10

 

 


Sábado, 25 de Abril de 2009

The Uninvited (2009)

 

 

Anna (Emily Browning) está num hospital psiquiátrico por causa de uma depressão que derivou de um trágico acidente que acabou por matar a sua mãe que tinha um doença em fase terminal. Passado uns tempos quando finalmente chega a hora de voltar para casa, Anna é confrontada com uma nova e surpreendente realidade: o sei pai Steven (David Strathairn) juntou-se com a antiga enfermeira que tomava conta da sua mãe, Rachael (Elizabeth Banks).

 

Mas nem tudo é mau no retorno a casa. Alex (Arielle Kebbel), irmã de Anna, está à sua espera e juntas conseguem passar pelo facto do pai ter uma nova mulher na sua vida. Porém, terríveis sonhos assolam a mente de Anna, e esta sente que é a mãe a tentar-lhe que Rachael é a culpada da sua morte. Assim, Anna e Alex tentam a todo o custo descobrir o que aconteceu naquela noite e quem realmente é Rachael.

 

Realizado por Charles e Thomas Guard, The Uninvited é uma adaptação do sucesso do cinema de terror asiático A Tale Of Two Sisters (2003). Como já toda a gente sabe os remakes de Hollywood geralmente costumam dar para o torto e dada a popularidade do filme original penso que este não é excepção. Embora com bons pormenores de realização, The Uninvited falha no seu objectivo principal que é o terror. Se por um lado os cenários foram bem escolhidos, em especial a mansão onde a trama é passada, por outro lado as cenas de ‘terror’ são óbvias e muito mal estruturadas.

 

Já em relação ao desempenho do elenco para mim foi uma surpresa. Emily Browning esteve surpreendentemente a um bom nível, algo que era difícil num filme como este e tendo em conta a idade desta. Arielle Kebbel esteve bastante bem também, no entanto não consegue disfarçar a sua falta de experiência em filmes do género demonstrando sempre um lado mais comediante. Em relação a David Strathairn e Elizabeth Banks cumprem o seu papel, não passando da mediocridade.

 

Se procura um bom thriller para ver numa tarde de fim-de-semana esta é um boa escolha, mas se pretende um filme de terror é melhor escolher outro filme.

 

Nota Final: 7 / 10

 

 


Por Hugo às 07:00
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