Domingo, 31 de Maio de 2009

I Can’t Think Straight (2007)

 

 

É facto que muitos dos filmes com temáticas homossexuais são característicamente pesados e com finais trágicos. Porém, é bom verificar que aos poucos as comédias românticas começam a aparecer sem grandes controvérsias, permitindo ao espectador um mais vasto leque de géneros cinematográficos dentro do já referido tema.

 

A premissa deste “I Can’t Think Straight” é bastante simples. Leyla (Sheetal Sheth) é uma jovem indiana, introvertida, mas extremamente criativa. Tem na escrita o seu mundo, o que lhe permite fugir um pouco à elevada protecção e preocupação dos pais. Já Tala (Lisa Ray) é uma mulher palestiniana, independente e que vai já na sua 4ª festa de noivado... sendo que nenhuma passou disso mesmo pois a jovem sempre acabou por desfazer os enlaces.

 

Tudo seguiria o seu rumo, não fosse o facto de Leyla namorar com Ali (Rez Kempton), o melhor amigo de Tala. Ao conhecerem-se, a empatia entre as duas jovens é imediata e rápidamente progride para algo mais... Mas estarão elas preparadas para enfrentar o preconceito das famílias, dos seus próprios costumes e religiões?

 

Com falhas visíveis no nível interpretativo da maioria dos actores, nomeadamente na prestação quase mecânica de alguns deles, certo é que a química e competência das duas protagonistas consegue “encher” o ecrã por forma a permitir ao espectador aproveitar inteiramente o factor de entretenimento que o filme pretende transmitir.

 

Filme esse que poderia ser um melhor produto, não fosse o ritmo demasiado “apressado” que transmite e que acaba por deixar o espectador com a sensação que, com um pouco mais de tempo de exploração do guião, a história teria ganho uma melhor abordagem.

 

Ainda assim, com uma fotografia cuidada, e uma agradável banda sonora, “I Can’t Think Straight” revela-se uma comédia simples, leve, que dispõe bem, e que com certeza não será uma má experiência.

 

“Slept with a woman while my fiancé makes wedding preparations? Nope, never done that before.”

 

Nota Final: 6.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 23:56
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Zack and Miri Make a Porno (2008)

 

 

Zack (Seth Rogen) e Miri (Elizabeth Banks) são dois amigos que vivem juntos. Além de viverem juntos, ambos partilham um monte de dividas que não para de aumentar. Após uma festa com antigos colegas da universidade, a luz e a água do apartamento são cortadas e as suas vidas atingem o fundo.

 

Sem maneira de pagar as dívidas, Zack tem a ideia de fazerem um filme pornográfico. Assim, com as receitas do filme poderiam pagar todas as dívidas, mas as coisas não correm como eles queriam. Ambos juram antes de começar o filme que nada se iria alterar na relação deles mas a verdade é que a sua relação muda para algo bastante maior.

 

Realizado pelo conhecido realizador de comédias Kevin Smith, chega-nos uma comédia bem ao estilo deste, ou seja, acima da média. Zack and Miri Make a Porno ganhou algum protagonismo nos media na América por causa do poster promocional (o mesmo que coloquei em cima), sendo este proibido porque demonstrava pessoas a fazer sexo oral(!). Até parte do título do filme (Make a Porno) foi proibido em algumas cidades. God Bless America.

 

Com diálogos interessantes e algumas referências interessantes ao universo de Star Wars, nada neste filme é entediante, porém isso não chega para fazer um bom filme. Essas lacunas são reparadas pelo casal (no filme) Seth Rogen e Elizabeth Banks que têm um desempenho bastante razoável e demonstram uma química muito boa entre os dois. Craig Robison faz o papel de realizador do filme porno e tem um desempenho bastante bom e divertido.

 

“What? Han Solo ain't never had sex with Princess Leia in the Star Wars!”

 

Nota Final: 7/10

 


Terça-feira, 14 de Abril de 2009

He's Just Not That Into You (2009)

 

Leve e divertida. É assim que esta deliciosa comédia romântica deve ser encarada, e foi assim que eu encarei no cinema quando estava rodeado pelos espectadores que 90% eram do sexo feminino.

 

Seguindo a “base” da premissa de Love Actually, He’s Just Not That Into You guia-nos por uma série de mini histórias de amor que estão de alguma maneira interligadas. Somos guiados por Gigi Haim (Ginnifer Goodwin), uma eterna sonhadora que procura o seu par ideal. Num encontro conhece Conor Barry (Kevin Connolly), que na verdade está-se literalmente a “borrifar” para ela. Passado uns dias, Gigi numa tentativa de encontrar Conor, conhece Alex (Justin Long) com quem cria uma empatia e este a começa guiar pela sua vida amorosa.

 

“Maybe he lost my number or is out of town or got hit by a cab.”

 

Conor na realidade tem uma espécie de relação com Anna Taylor (Scarllet Johansson), mas esta por sua vez conhece e envolve-se com Ben Gunders (Bradley Cooper) que é casado com Janine Gunders (Jennifer Connely) que trabalha com Gigi, mas esta não desconfia de nada e na realidade está mais preocupada que o marido comece a fumar outra vez. Beth Barlett (Jennifer Aniston), que é uma espécie de patroa de Gigi e Janine, vive há sete anos com o seu namorado Neil Jones (Ben Affleck) que é irmão de Ben.

 

Esta é uma versão reduzida da história, que é adaptada da obra com o mesmo nome que o filme e tem como criadores Greg Behrendt e Liz Tuccillo (criadores de Sex & The City), que nos é trazida pelas mãos de Ken Kwapis. Este consegue mostrar-nos de uma maneira simples diversas histórias românticas sem nenhum ter mais tempo de antena que outra. Assim, aquelas histórias que têm mais protagonismo acabam por ter o mesmo grau de importância das outras. Ao seguir uma sequência bem linear com diálogos bem estruturados, Ken Kwapis mostra várias facetas do amor e em particular um bem recente que foi de forma muito inteligente introduzida no filme: as plataformas sociais na internet tal como o myspace, facebook, entre outros.

 

Reunindo um elenco fantástico, era difícil alguém falhar. Mas como é óbvio alguém foi o bobo da festa, e neste caso em particular foram Bem Affleck e Jennifer Aniston (que surpresa…) que apresentam performances medianas, mostrando uma total falta de conectividade, o que é uma pena pois o casal que formam é um dos pontos fulcrais do filme.

 

Ginnifer Goodwin talvez como a faceta principal do filme, tem um desempenho bastante positivo, a par de Scarllet Johansson que tinha como um objectivo indirecto ser a sedutora do filme, representou com um à vontade natural que já todos lhe conhecemos. Em relação ao resto do elenco todos merecem uma nota positiva e não deixam os seus créditos alheios.

 

Recorrendo a diálogos para fazer a verdadeira comédia em vez de cenas caricatas, Ken Kwapis traz uma boa comédia romântica que sem dúvida se situa bastante acima da média deste segmento.

 

“I had this guy leave me a voice mail at work, so I called him at home, and then he emailed me to my BlackBerry, and so I texted to his cell, and now you just have to go around checking all these different portals just to get rejected by seven different technologies. It’s exhausting.”

 

Nota Final: 8/10

 

 

 


Domingo, 5 de Abril de 2009

My Sassy Girl (2008)

 

 

Remake do filme coreano “Yeopgijeogin geunyeo” de 2001, e baseado numa história verídica, “A Minha Namorada é Louca” conta-nos a história de Charlie Bellow (Jesse Bradford), um tímido estudante que um dia salva a vida de uma (alcoolizada) jovem no metro. Essa rapariga é Jordan Roark (Elisha Cuthbert), uma extremamente complicada “menina rica” que esconde um desgosto de amor...

 

Com uma série de peripécias pelo caminho, eles acabam por se apaixonar, apesar das constantes “catástrofes” provocadas por Jordan na vida de Charlie. Resta agora saber: ficarão juntos?

 

Contando com um elenco ainda em ascenção, especialmente Elisha Cuthbert, que marcou presença num dos mais rentáveis blockbusters dos últimos anos, “The Girl Next Door”, certo é que a história funciona muito pela dinâmica criada entre os actores. E embora uma ou outra situação merecesse revisão, a película não se vê comprometida. Os cenários do filme são uma delícia visual, bem como a banda sonora, apropriada para o estilo em questão.

 

Relativamente ao facto de ser um remake “hollywoodesco”, este é considerado bastante mais fraco que o original de 2001. Porém, devo dizer que me conquistou, embora não descarte a hipótese de comprovar tal opinião que é, aparentemente, geral.

 

Em tom conclusivo, há que mencionar aquilo que de mais forte o filme oferece ao espectador: a sua recta final. Faz já bastante tempo que não me deparava com um final tão satisfatório em filmes deste género. Surpreendeu-me pela positiva, pois teve tanto de original como previsível q.b. (o que ao contrário do que muitos pensam, nem sempre é mau para uma fita com os objectivos a que esta se propõe).

 

Assim, “My Sassy Girl” arranca boas gargalhadas do público, e uma dose certa de comoção. Era o que pretendia e que, felizmente, alcançou. Watchable.

 

“Destiny is the bridge you build to the one you love.”

 

Nota Final: 6.5 / 10

 

 

 


Domingo, 15 de Março de 2009

Twilight (2008)

 

 

Funcionando como um hino à cultura actual, “Crepúsculo” conta-nos a história do vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson) e de Isabella Swan (Kristin Stewart), uma tímida adolescente de 17 anos que, deixando para trás a sua casa em Phoenix, onde vivia com a mãe e o padrasto, chega à pequena cidade de Forks para viver com o pai.

 

Bem acolhida pelos seus colegas de liceu, Bella rapidamente cria um bom grupo de amigos. Contudo, o mesmo não se pode dizer em relação a Edward, que no primeiro dia parece tudo menos disposto a manter qualquer tipo de relação com Bella. Porém, o interesse que despertam um no outro fala mais alto e os dois acabam mesmo por se apaixonar... Mas irá Bella afastar-se de Edward ao descobrir a sua condição de vampiro?

 

Com bons planos de acção (recordo-me da cena em que a familia de Edward joga basebol na floresta, por exemplo), o filme conta ainda com boas interpretações, especialmente dos protagonistas que conseguem uma química perfeita das suas personagens. O facto de conseguirem transmitir diversas emoções com um simples olhar (por mais clichê que isto possa parecer, porque o é, de facto) fazem da sua dinâmica uma clara mais valia para a película.

 

Já a nível técnico, posso afirmar que algumas transições de cena estão menos bem conseguidas. Ainda assim, o facto de os efeitos especiais não se revelarem exagerados (a cena em que Edward se expõe à luz solar é prova disso mesmo), e a luz e fotografia do filme serem na sua maioria desenhados em tons “mortos”, crús e pálidos, conferem o ambiente ideal para fitas com este tipo de temática.

 

Assim, não é de estranhar que esta adaptação para a sétima arte do primeiro livro da série de ficção “Luz e Escuridão” de Stephenie Meyer, mereça destaque dentro de filmes do género. Comercial sim, mas não necessáriamente mau. Aliás, longe disso.

 

Embora não seja inteiramente fiel ao livro (deixa-se cair na lacuna de algumas cenas que explicariam melhor determinadas questões, nomeadamente o quase impossível envolvimento físico de Edward e Bella) certo é que merece uma oportunidade. E a meu ver, não se vão arrepender.

 

“No one will surrender tonight, but I won't give in. I know what I want.”

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 00:41
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Domingo, 1 de Março de 2009

The Painted Veil (2006)

 

 

1925. Kitty (Naomi Watts) e Walter (Edward Norton) recortam a vibrante, mas ao mesmo tempo tranquila, paisagem de uma China remota. Mas alguém parece contrariado...

 

Para fugir ao sustento dos pais e provar à mãe que era capaz de encontrar um bom partido, Kitty casa com Walter embora nunca o tenha amado. Assim, não é de estranhar que pouco tempo depois acabe mesmo por cometer adultério. Ao descobrir tal facto, o dedicado bacteriologista, por forma a “castigar” a mulher, decide levá-la consigo para a aldeia de Mei-Tan-Fu, um actual epicentro da epidemia da cólera. É aqui que Kitty toma consciência que, afinal, há muitas coisas que desconhece do marido e que a vão fazer apaixonar-se por ele.

 

Baseado no romance homónimo de Somerset Maugham, “O Véu Pintado”, embora aspire a ser um épico, não alcança inteiramente esse objectivo. Devo assumir, contudo, que “dá cartas” em vários parâmetros, nomeadamente a nível da fotografia, sonoridade, planos de acção, e todo um ambiente contido que a fita consegue transmitir.

 

O facto de ser bastante lento na primeira hora, mesmo que apresentado por flasbacks de uma das personagens principais (uma metodologia que, a meu ver, permite uma abordagem interessante), deixa aquele sentimento de que falta qualquer coisa. Mas, entenda-se, é crucial para compreender a história presente.

 

É um bom filme, bonito visualmente, com boas interpretações quer dos actores locais, quer de Edward Norton e Naomi Watts (curiosamente, os produtores da película) que conseguem abordar várias características das suas personagens, mas sem nunca caírem no exagero. Imperdível não digo, mas a sua visualização não se poderá de forma alguma considerar tempo perdido. Digno de registo.

 

“When love and duty are one, grace is within you.”

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Por Mafalda às 21:25
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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Nights In Rodanthe (2008)

 

 

Passado o dia de São Valentim, optei pela (penosa...) visualização de mais esta adaptação ao cinema de um romance de Nicholas Sparks, “O Sorriso das Estrelas”.

 

Ora, só esta minha afirmação poderia ser suficiente para afastar potenciais espectadores... e talvez com razão, pelo menos neste caso.

 

Diane Lane é Adrienne Willis. Mãe de dois filhos e recentemente separada do marido, vê a sua vida “complicar-se” quando este pretende obter o seu perdão e, assim, voltar para casa. Por forma a fugir à pressão da filha de ver os pais juntos novamente e encontrar um pouco de paz, Adrienne promete a uma amiga tomar conta da pensão que esta possui em Rodanthe, uma cidade litoral com pouca afluência turística nesta época do ano, e ainda para mais com a tempestade que se aproxima. É aí que Adrienne conhece Paul Flanner, o único hóspede da pensão. Paul é um cirurgião plástico que carrega a culpa pela morte de uma paciente... bem como uma instável relação com o seu filho Mark (James Franco).

 

Com uma empatia quase imediata, Adrienne e Paul encontram naquele fim de semana uma possibilidade de redenção e encontram consolo nos braços um do outro, iniciando um romance que mudará para sempre as suas vidas.

 

“Nights In Rodanthe” é assim um romance fácil, que apela à libertação de um par de lágrimas, falhando em diversos aspectos, não só técnicos (que deturpam a mensagem do filme, tornando-a num festival melodramático) como também a nível de interpretações (a destacar só James Franco, que tem crescido exponencialmente enquanto actor). Chegando por vezes a ser aborrecido e cedendo sempre a clichês, é o filme indicado para uma tarde de domingo... se não tiver nada melhor para ver.

 

Pormenor: o título brasileiro para o filme é  “Noites de Tormenta”... e mais não digo.

 

“Do you even remember who you really are anymore?”

 

Nota Final: 4 / 10

 

 

 


Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

The Reader (2008)

 

 

Nomeado para o Óscar de Melhor Filme, e valendo a nomeação para Melhor Actriz a Kate Winslet, “O Leitor” é, a meu ver, um filme... morno.

 

Alemanha, 1958. Michael Berg (David Kross) tinha somente 15 anos. Agora, volvidos quase 40 anos (Ralph Fiennes), relembra um romance que manteve com uma mulher mais velha, Hanna Schmitz (Kate Winslet). Dócil mas ao mesmo tempo fria e distante, Hanna era uma apaixonada pela leitura. O facto de Michael ler para ela, permitiu aprofundar significativamente a relação de ambos. Mas chega o dia em que Hanna desaparece.

 

A espera dura 10 anos até que Michael a reencontra a ser julgada... por actos de natureza nazi. As cenas no tribunal são sem dúvida emotivas. Vemos como Michael se debate interiormente com os seus segredos e como começa a questionar-se... Até que ponto conhecera Hanna?

 

Colocando em causa a moralidade do ser, “O Leitor” é um filme longo e complexo... pecando talvez nesse ponto. Valendo-se de um ambiente característico de época (bem conseguido diga-se) perde um pouco a “fervura”, principalmente na parte inicial. Porém, devo mencionar um exponencial interesse na recta final. A dinâmica entre Michael e Hanna foi um toque interessante e muitíssimo inteligente na medida em que, com o desenrolar dos acontecimentos vamos tomando noção da real importância que aquela mulher teve na sua vida.

 

Mas, na minha óptica, o melhor do filme prender-se-á mesmo com Kate Winslet que tem aqui uma grande interpretação. A sua versatilidade para demonstrar as mais variadas emoções e características da personagem justificam amplamente a sua nomeação ao Oscar. As cenas em que Michael lê para Hanna são extremamente apelativas emocionalmente. Toda a expressão corporal da actriz mostra entrega àqueles momentos que tanto significam para a personagem, e isso é de louvar. Brilhante. Pena é que o filme não esteja inteiramente em pé de igualdade com o trabalho por ela desenvolvido pois, embora a temática me fosse ao início bastante atractiva, confesso... não me envolveu tanto como esperava.

 

Veremos qual a opinião da academia.

 

“It doesn't matter what I think. It doesn't matter what I feel. The dead are still dead.”

 

Nota Final: 7.5 / 10

 

 

 


Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

The Curious Case Of Benjamin Button (2008)

 

Ora aqui está um filme, como o próprio nome sugere, curioso. Sem puder escapar aos vários spoilers que percorrem a Internet hoje em dia, já tinha noção da história que me aguardava. David Fincher realizador de obras primas como Zodiac e Fight Club, traz-nos um filme absolutamente fantástico e que nos prende ao ecrã do primeiro ao ultimo minuto. 

 

“My name is Benjamin. Benjamin Button. And I was born under unusual circumstances.”

 

Tudo começa com uma senhora perto do leito da morte, acompanhada com a sua filha, Caroline (Julia Ormond). Esta pede-lhe para lhe ler um caderno, escrito todo ele à mão, que conta a história de um homem chamado Benjamin Button. Benjamin (Brad Pitt) é um recém-nascido, abandonado à porta de um lar de idosos, que apesar de ter um interior igual à sua idade, todas os seus detalhes físicos têm semelhanças com um homem de 80 anos. Contra todas as expectativas, Benjamin consegue sobreviver. Criado por Queenie (Taraji P. Henson), Benjamin cresce em harmonia, pois apesar de ser apenas uma criança, o seu aspecto confere-lhe uma semelhança absurda com os residentes daquela casa. Uma criança chamada Daisy (Cate Blanchett), neta de uma das residentes do lar, conhece Benjamin e os dois desenvolvem uma ligação especial.

 

“Your life is defined by its opportunities, even the ones you miss.”

 

Estes passam por encontros e desencontros. Enquanto um rejuvenesce, o outro envelhece. Ao longo da sua caminhada, Benjamin conhece o seu verdadeiro pai (Jason Flemyng), que perto da sua morte lhe revela essa mesma notícia e lhe deixa todos os seus bens (destacando-se uma fábrica de botões). Com o passar dos anos, as idades físicas e mentais de Benjamin e Daisy finalmente cruzam-se, e estes vivem uma relação extremamente bela durante alguns anos. Tendo consciência do que realmente era, Benjamin quando recebe a notícia que iria ser pai, percebe que aquela relação não estava destinada a durar para sempre.

 

Com um aspecto visual fantástico, The Curious Case Of Benjamin Button é um dos candidatos (senão O candidato) mais fortes a ser a verdadeira estrela dos Óscares 2009. David Fincher nunca em nenhuma das suas anteriores fitas tinha sido tão apaixonado como nesta. Realiza aqui um filme que consegue ser espectacular quase a todos os níveis desde a fotografia, os efeitos especiais, o ambiente, entre outros. De realçar também o cuidado com que foram tratadas todas as épocas que Benjamin Button atravessa, desde o grande bombardeamento japones em Pearl Harbor até à aventura do homem no espaço. Se muita boa gente diz que é um filme com uma grande duração e que tem partes dispensáveis, a verdade é que não o deverão ter observado com atenção, pois todos os momentos são deliciosos e completamente indispensáveis.

 

Em relação a interpretações, Brad Pitt e Cate Blanchett desenvolvem uma química fantástica durante todo o filme, o que lhes confere um brilhantismo muito especial. As mudanças visuais de Pitt estão perfeitas, a forma como relata a história e ainda como consegue interpretar de uma forma tão natural uma personagem que se adivinhava ao princípio bastante difícil, faz deste um dos mais sérios candidato ao óscar de melhor actor.

 

Poderia ainda dizer muito mais sobre este magnifico filme, mas a verdade é que se ficaram curiosos, o melhor é verem este obra de arte com os vossos próprios olhos.

 

“Along the way you bump into people who make a dent on your life. Some people get struck by lightning. Some are born to sit by a river. Some have an ear for music. Some are artists. Some swim The English Channel. Some know buttons. Some know Shakespeare. Some are mothers. And some people can dance.”

 

Nota final: 9/10

 

 

 


Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Revolutionary Road (2008)

 

 

Antes de mais devo dizer que me surpreendeu bastante a não nomeação de “Revolutionary Road” na categoria de Melhor Filme (em detrimento de “The Reader”) porque, de facto, merecia.

 

Baseado no romance homónimo de Richard Yates, “Revolutionary Road” conta-nos a história de Frank (Leonardo DiCaprio) e April (Kate Winslet), um casal que se encontra desiludido, e até mesmo revoltado, com o rumo que as suas vidas tomaram. Casados e pais de dois filhos, viram todos os seus sonhos e ideais caírem por terra.

 

Frank, que não quer seguir os passos do pai e ser o simples marido que tenta sustentar a sua família, e April, a quem não agrada minimamente a ideia de ser a perfeita dona de casa, planeiam viajar para Paris numa tentativa de combater esse vazio que se tornou a sua vida. Mas... estarão ainda a tempo?

 

A escolha dos protagonistas do filme não poderia ter sido melhor. Sente-se um amadurecimento da química entre DiCaprio e Winslet, o que lhes permite conferir às personagens uma credibilização do amor que os une, mas também a culpa que atribuem um ao outro pelo estado de decepção e apatia em que se encontram. A revolta que existe nos personagens está muito bem conseguida pois não se deixa cair no exagero (fácil em filmes do género dramático). De mencionar ainda a interpretação de Michael Shannon como John Givings, a única personagem que, no meio da sua “loucura”, conseguia compreender verdadeiramente o desespero do casal.

 

A fotografia, a discreta banda sonora, a filmografia, e o guião bem adaptado conferem uma sólida coerência a esta fita que funciona como crítica ao pré-estabelecido modo de vida da sociedade. Porque outrora, Frank e April foram aqueles jovens que disseram “nunca nos vamos moldar a nada, e nunca vamos deixar de perseguir os nossos sonhos”... mas não... deixaram muito por fazer. E é essa a abordagem que devemos fazer ao filme. Perceber até que ponto estamos cientes das nossas ambições, se estamos dispostos a lutar por elas contra todos os comodismos e, assim, não nos deixarmos subjugar ao “funcionamento” desta sociedade em que vivemos. Porque do tudo, se faz nada, em questão de segundos.

 

I saw a whole other future. I can't stop seeing it.”

 

Nota Final: 8 / 10

 

 

 


Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Slumdog Millionaire (2008)

 

 

Não estivesse eu a criticar um filme que tem por base o famoso concurso ‘Quem Quer ser Milionário’, tenho então de começar este texto com uma pergunta: Ainda é possível contar histórias de amor de uma forma original??
 
As hipóteses não estão numeradas, e a tua única ajuda é o restante texto a seguir...
 
 
Jamal Malik e o seu irmão mais velho Salim, perdem precocemente os seus pais tornando-se assim órfãos numa cidade muito pobre da Índia. Bombaim é o cenário deste filme e ilustra de forma veemente a pobreza existente nos bairros de lata, e como a maior parte dos meninos tentam sobreviver numa cidade caótica.
 
A história de vida de Jamal, que também é a de Salim, é contada ao longo de um interrogatório policial. Ao participar no concurso, e ao estar a apenas uma pergunta do prémio máximo, o apresentador desconfia das suas capacidades e denuncia-o à policia por fraude.
 
O seu objectivo ao entrar naquela programa nunca foi ganhar dinheiro mas sim, agarrar-se a única hipótese de reencontrar Latika, uma menina (agora mulher), que tal como ele enfrentou a vida real desde pequena. A verdade é que Jamal não é um sobredotado, nem andou na escola por muito tempo... então, como é que um slumdog (um ‘cão’ dos bairros de lata), um chaiwalla (rapaz que serve chá) se ‘arrisca’ a ganhar 20 milhões de rupias? E será esse o seu maior prémio?
 
Quem quer ser Bilionário” não é um filme sobre uma história de amor, perdoem-me a expressão, lamechas... e é isso que o torna especial. Todo o argumento conta e retrata uma sociedade bastante pobre e vidas marcadas por isso, onde como em tudo, existem pessoas capazes de ‘vender a mãe’ para ‘subir’ na vida. Paralelamente, e com o 'evoluir' da história, Jamal e Latika poderão ter a sua merecida oportunidade, aquela que lhes escapa à algum tempo.
 
Nomeado para 10 óscares da academia, e já com os 7 prémios BAFTA arrecadados (entre eles, melhor filme e melhor realizador), “Slumdog Millionaire” arrisca-se, com todo o mérito, a arrecadar algumas e as principais estatuetas em disputa.
 
 
Nota Final: 9/10
 
 

 


Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Vicky Cristina Barcelona (2008)

 

 

Penélope, Javier, Woody e indubitávelmente... Barcelona!

 

Não só o casal de actores justifica amplamente as melhores das críticas pelos seus desempenhos nesta nova película do cineasta Woody Allen, como também Penélope merece inquestionávelmente o Óscar de Melhor Actriz Secundária.

 

Mas passemos à história. Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são duas amigas que, de férias em Barcelona (a “cidade de fundo” ideal para este romance), dão de caras com um misterioso homem, Juan Antonio (Javier Bardem). Este convida-as a viajarem com ele até Oviedo. A princípio é Cristina quem cede aos encantos do pintor, mas Vicky, ao conhecê-lo melhor, deixa-se também ela cair num ideal de paixão que se revela mais tarde, efémero. Como Vicky está de casamento marcado, Juan Antonio encontra em Cristina a sua nova companheira.

 

Tudo seria perfeito não fosse a chegada de Maria Elena (Penélope Cruz), a passional ex-mulher de Juan Antonio. Após uma tentativa de suicídio a também pintora volta a viver com o ex-marido e com Cristina iniciando uma relação deveras interessante. Está assim criado um triângulo amoroso que se complementa e nos proporciona alguns dos momentos mais altos do filme.

 

Contando como ninguém as peripécias de uma vida a dois... ou a três, e retratando de forma irrepreensível toda a vivência humana, Woody Allen tem neste filme uma comédia um pouco “parada” por vezes, mas que com o decorrer da acção, e a intervenção de Penélope, acaba por se converter num regresso competente do realizador americano. Mantendo a sua paixão pela essência feminina, Allen consegue assim transmitir visuais de paixões avassaladoras, comoções com a música das violas espanholas, e uma essência envolvente de uma narrativa na terceira pessoa.

 

Bonito visualmente, “Vicky Cristina Barcelona” não vai, certamente, agradar a todos, mas tem a capacidade de nos levar a questionar o que realmente procuramos para a nossa vida no que a relacionamentos diz respeito.

 

“The trick is to enjoy life, accepting it has no meaning whatsoever.”

 

Nota Final: 7 / 10

 

 

 


Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

How To Lose Friends and Alienate People (2008)

 

Eis um filme que me surpreendeu bastante pela positiva. Sinceramente nunca tinha visto nenhum filme de Robert B. Weide (sim, nunca vi sequer nenhum episódio do Curb Your Enthusiasm) e este surpreendeu-me pela história apresentada no grande meio que é Hollywood.

 

O enredo passa-se à volta de Sidney Young (Simon Pegg), um semi-critico de cinema que acredita que Hollywood é um conto de fadas e que é conhecido por quebrar a segurança das festas privadas, que é contratado por Clayton Harding (Jeff Bridges) para uma importante revista do ramo. Decidido a triunfar no novo emprego, rapidamente Sidney percebe que o seu conto de fadas não passada de uma ilusão. Nas malhas de Eleanor Johnson (Gillian Anderson), uma poderosa publicitária, este se apercebe que Hollywood nada do que parece é. Com esforço consegue chegar ao ‘topo’ mas vai-se debater com problemas morais, como o seu envolvimento com a estrela de cinema Sophie (Megan Fox) e sua paixão desde que ‘chegou à revista’, Alison (Kirsten Dunst).

 

Este filme mostra o outro lado de Hollywood de uma forma ligeiramente humorística, podendo ser visto como uma versão masculina de The Devil Wears Prada. Simon Pegg tem uma actuação bastante boa mostrando todo o seu ‘British Talent’ e proporciona bons momentos durante o filme. De destacar também o prazer de ver a bela Kirten Dunst num papel fora da série de filmes de Spider-Man. O aspecto mais negativo deste filme recai todo sobre Megan Fox que só entra neste filme pelo nome e pela beleza, pois em relação à representação está bastante má.

 

Nota final: 7/10

 

  

 


Por Hugo às 09:59
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este filme é mt bom!!
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Excelente filme, muito recomendado!Cumps cinéfilos...
muito bom o Ilusionista. Cheguei a vê-lo aqui na F...
Não é para os fracos de coração... e, já agora, de...

Estreias da Semana

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